Book: CSS Eficiente



CSS Eficiente

CSS Eficiente

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10/02/1998.

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autorização prévia por escrito da editora, sejam quais forem os meios:

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Casa do Código

Livros para o programador

Rua Vergueiro, 3185 - 8º andar

04101-300 – Vila Mariana – São Paulo – SP – Brasil

Casa do Código

Sumário

Sumário

1

Introdução

1

2

Seletores CSS

7

2.1

Especificidade CSS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

8

2.2

Como seletores CSS são interpretados . . . . . . . . . . . . .

12

2.3

Não use IDs como seletores CSS . . . . . . . . . . . . . . . . .

17

3

CSS orientado a objetos

23

3.1

Princípios básicos de CSS orientado a objetos . . . . . . . . .

25

3.2

Exemplos de objetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

27

3.3

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

29

4

SMACSS

31

4.1

Introdução a SMACSS

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

32

4.2

Nomenclatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

33

4.3

Base . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

34

4.4

Layout . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

36

4.5

Módulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

38

4.6

Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

40

4.7

Tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

42

4.8

Mais exemplos da prática de SMACSS . . . . . . . . . . . . .

43

4.9

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

47

i

Sumário

Casa do Código

5

BEM

49

5.1

Pensando BEM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

50

5.2

Escrevendo BEM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

54

5.3

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

57

6

Pré-processadores CSS

59

6.1

O que são pré-processadores CSS? . . . . . . . . . . . . . . . .

60

6.2

Aninhamento de regras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

63

6.3

Variáveis

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

67

6.4

Mixins . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

70

6.5

Extensão/Herança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

72

6.6

Importação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

78

6.7

Mais superpoderes de Sass . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

80

7

CSS namespaces

83

7.1

Os CSS namespaces mais comuns . . . . . . . . . . . . . . . .

84

7.2

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

96

8

Task Runners

99

8.1

O que são Task Runners? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

100

8.2

Como instalar o Gulp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

101

8.3

Gulp API . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

104

8.4

Exemplo de tarefas com Gulp . . . . . . . . . . . . . . . . . .

104

8.5

Sugestões de plugins Gulp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

110

8.6

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

110

9

ITCSS

113

9.1

O que é ITCSS? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

114

9.2

As camadas do triângulo invertido . . . . . . . . . . . . . . .

115

9.3

Organização do código com ITCSS . . . . . . . . . . . . . . .

124

9.4

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

126

10 O fim

129

ii

Capítulo 1

Introdução

Ah, as CSSs! As queridas folhas de estilo que tanto amamos e, às vezes, odi-amos , que estão conosco, os desenvolvedores front-end, na maioria dos dias de nosso trabalho!

Desde que nosso colega norueguês Håkon Wium Lie brindou o mundo

com sua invenção inteligentemente chamada de Cascading Style Sheets (CSS), muita coisa já aconteceu com essas danadinhas!

CSS Eficiente

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Fig. 1.1: Håkon Wium Lie tentando convencer o W3C a aprovar as CSS

Atualmente, é possível alcançar com a CSS o que, até não muito tempo

atrás, não se passava de sonho ou do uso de muitos códigos JavaScript. Devido às suas modernas características recentes, elas se popularizaram e ganharam os corações de muitos desenvolvedores e entusiastas por todo o mundo!

As folhas de estilo não são tão complicadas de se aprender. Ao contrário, são populares justamente pela sua facilidade e rápido início, aliado à visualização imediata do que se está fazendo! Em suma: a CSS é famosa!

Entretanto, como qualquer coisa em nossas vidas, também existe o lado

ruim. Com o passar do tempo, essa facilidade de uso trouxe um lado negativo ao ecossistema de estilização para web: a adoção involuntária de más práticas de uso. Não que isso tenha sido algo maquiavélico, uma conspiração de meia dúzia de webdevs maléficos rumo à disseminação de práticas ruins. Sim-2

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Capítulo 1. Introdução

plesmente aconteceu. Por conta disso e por ninguém ter avisado que não era certo, ela simplesmente propagou-se e continuou assim.

Com a palavra: quem entende do assunto

Tenho a felicidade de ter contato com alguns dos grandes nomes do cená-

rio mundial quando o assunto é CSS. Certamente, o que pessoas como Harry Roberts e Jonathan Snook pensam sobre boas práticas conta bastante!

Para enfatizar o quão importante é adotar as boas práticas que estão presentes neste livro, perguntei a estas duas sumidades: Por que uma Arquitetura CSS é importante? E por que precisamos de uma?

Harry Roberts, do CSS Wizardry (http://goo.gl/sXt93d) , criador da metodologia ITCSS (9) que chega ao Brasil com exclusividade por meio deste livro, respondeu:

CSS é incrivelmente fácil de escrever incrivelmente fácil , mas possui uma ordem de magnitude mais difícil para se gerir, manter e escalar. Como os projetos ficam mais maduros e maiores, CSS pode realmente começar a “comer pelas beiradas”, causando quantidades incalculáveis de confusão, dores de cabeça e frustrações para os desenvolvedores responsáveis por geri-los.

Isso se dá, principalmente, devido a uma série de princípios fundamentais de CSS que tornam inerentemente mais difícil a gestão de qualquer projeto de UI não trivial: é impossível encapsular totalmente regras, então todas elas têm a capacidade de herdar ou repassar estilização de e para outras; nada é imutável, logo, é possível acidentalmente desfazer ou interferir com outras regras no projeto; não existe fluxo de controle ou lógica, o que significa que não há nenhuma pista sobre a forma ou o estado do projeto; sua sintaxe liberal (loose syntax) torna muito fácil que as pessoas façam a coisa errada; há total dependência da ordem do código, o que significa que, se porções de código são movidas (ou adicionadas em partes erradas do projeto), um monte de outras coisas podem (potencialmente) quebrar; a especificidade trabalha contra alguns dos outros princípios de design do core da linguagem; e o fato de ser tão simples significa que todo mundo que mexe com CSS, muitas vezes, tem sua opinião de como as coisas devem ser feitas, o que leva a colisões e confusão.

Quando todos esses problemas se reúnem em grande escala, cada um é am-

pliado e se torna ainda mais evidente. Uma arquitetura CSS nos fornece uma 3

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forma estruturada de escrita e gerenciamento de CSS de uma forma que tanto contorna ou doma essas esquisitices, quanto dá aos desenvolvedores um conjunto de regras e diretrizes a seguir a fim de continuar a escrever CSS que é amigável, são, simples de compreender e mais fácil de escalar.

Jonathan Snook, criador do SMACSS (4), disse:

Sistemas grandes, complexos, em crescimento, precisam de organização. Todos estes precisam de alguma maneira de dar sentido à complexidade. Programação orientada a objetos existe há décadas como uma maneira de estabelecer a ordem em meio ao caos. Desenvolvimento server-side tem sido por anos a ascensão popular de frameworks MVC. JavaScript tem sido a ascensão de ferramentas para gerenciamento de dependência.

Somente nos últimos anos, temos visto qualquer tentativa de organizar CSS

de uma forma sensata. Abordagens como OOCSS e SMACSS surgiram para

proporcionar entendimento mais facilitado de projetos, permitindo qualquer um a, rapidamente, “pular dentro” e ser mais produtivo, a ser capaz de fazer isso sem a sensação de que tudo vai desmoronar quando alguma mudança é

feita.

Estas são palavras de eminentes desenvolvedores front-end do planeta

Terra. Se elas não são o suficiente para fazer você chegar à conclusão de que uma Arquitetura CSS mais robusta é imprescindível para projetos front-end profissionais, então não há mais nada no mundo que fará.

Conclusão

Este livro tem o objetivo de ajudar, pelo menos um pouquinho, a disse-

minar algumas boas práticas e tecnologias interessantíssimas para se escrever e manutenir projetos CSS para você que já trabalha (ou trabalhou) com as folhas de estilo e quer aprimorar seu trabalho, passando a escrever CSS eficiente.

Portanto, nele você não vai encontrar explicações básico-teóricas como: o que é e como é formada uma regra CSS; regras de usuário, de navegador e de autor; comparativo entre CSS inline, incorporado e externo; qual a diferença entre IDs e classes; o que são pseudoclasses e pseudoelementos; quais as propriedades CSS existentes e valores possíveis para cada etc. Na verdade, muitas dessas informações nem serão úteis aqui. Logo, façamos um combi-4

Casa do Código

Capítulo 1. Introdução

nado: ficará subentendido que você é uma pessoa que já estudou tudo isso e agora aprimorará suas habilidades.

Imagine que estamos cuspindo em nossas respectivas mãos e as apertando

num chacoalhar amistoso para selar esse pacto.

Aproveite a leitura!

5

Capítulo 2

Seletores CSS

A maioria dos desenvolvedores front-end, principalmente os que dão me-

nor importância à teoria, cria suas próprias regras CSS como se não houvesse amanhã. Embora isso seja verdade em relação a alguns prazos estabelecidos pela doce e carismática figura do gerente de projetos, as folhas de estilo são escritas sem planejamento, sem preparação, sem consciência e sem muitos

outros atributos essenciais para que um trabalho bem feito possa ser execu-tado.

Se você se enquadra nessa infeliz descrição, este capítulo é importantíssimo, já que vai abordar temas como especificidade CSS, explicação de como os seletores CSS são interpretados e outras dicas gerais. O intuito é a disseminação da prática de planejar a escrita de regras CSS antes de escrever código às cegas. Ou seja, pensar antes de fazer.

Além da vantagem óbvia de adquirir mais conhecimentos e passar a es-

crever CSSs melhores, você também terá condições de argumentar com o seu

2.1. Especificidade CSS

Casa do Código

gerente de projetos sobre como é importante planejar suas folhas de estilo para obter um CSS mais eficiente e profissional.

E se, ainda assim, não adiantar, peça a ele que me envie um e-mail para

ler uma ou duas verdades!

2.1

Especificidade CSS

É simples escrever regras CSS: primeiro escreva o elemento, classe ou ID que se quer estilizar (aí são inclusos seletores avançados) e aplique as propriedades cabíveis. Porém, já aconteceu de você criar uma regra e, por algum motivo, ela não “entrou em ação"? Quer dizer, você a criou esperando que tudo corresse bem, mas, por algum motivo, ela não foi aplicada e outra regra teve precedência?

Provavelmente isso acontece com todos que trabalham com CSS. É devido

à especificidade de CSS que isso ocorre. Um dos motivos de haver “Cascata”

em “Folha de Estilo em Cascata” é referente, justamente, a quão específica determinada regra é, para ser “mais importante” que outras e entrar em ação em detrimento às demais.

O que é a especificidade CSS?

Não entender a teoria e a prática da especificidade CSS, raramente, não

leva a confusões, desgostos e falsas acusações de bugs “Já criei a regra, mas ela não funciona!” , já havendo relatos de aumento de pressão e náuseas. Entretanto, não é algo tão difícil de se entender.

Pense na especificidade CSS como um sistema de pesos que serve para determinar qual regra CSS tem precedência quando várias podem ser aplicadas ao mesmo elemento. Regras com maior peso têm preferência sobre regras de menor peso e por isso “ganharão” e entrarão em ação quando o navegador renderiza os estilos.

Toda regra CSS tem sua especificidade implícita; portanto, mesmo não

sabendo, você já se vale da especificidade! A ideia é que, a partir de agora, você faça isso conscientemente.

8

Casa do Código

Capítulo 2. Seletores CSS

Entendendo a especificidade CSS

Existem 4 categorias que definem o nível de especificidade a um dado se-

letor. Preste atenção na ordem, pois é importante. Para facilitar as explicações, vamos atribuir letras a cada uma:

a) Estilos inline;

b) IDs;

c) Classes, pseudoclasses e atributos;

d) Elementos e pseudoelementos.

Por exemplo, seria possível visualizar a especificidade de um elemento h1

da seguinte maneira:

h1 = (a=0), (b=0), (c=0), (d=1)

Quer dizer, no seletor h1 existe 0 estilos inline; 0 IDs; 0 classes, pseudoclasses e atributos; 1 elemento ou pseudoelemento.

Para ficar menos verboso, isso poderia ser mostrado como:

h1 = 0,0,0,1

Para facilitar ainda mais, também é possível “transformar” isso em um

número inteiro:

h1 = 0001

Se o seletor fosse #content h1, teríamos:

#content h1 = 0,1,0,1

Ou:

#content h1 = 0101

9

2.1. Especificidade CSS

Casa do Código

Isso significa que, se ambas as regras existissem em um conjunto de estilos de uma página, #content h1 teria precedência em relação a h1, dado que

0101 > 0001.

Atente-se ao fato de que a matemática envolvida é somente para demons-

trar a lógica que acontece “nos bastidores”. Seria completamente incoerente se, por padrão, CSS priorizasse a estilização de um elemento puro em detrimento à estilização deste mesmo elemento dentro de um contêiner (neste caso, um ID), que é um seletor mais específico.

Mais um:

#sidebar ul li a.myclass:hover = 0,1,2,3

0 estilos inline; 1 ID; 2 classes, pseudoclasses ou atributos; 3 elementos ou pseudoelementos.

Pense rápido: qual o peso do seletor universal *? 0! Ele não tem

estilos inline, IDs, classes, pseudoclasses ou atributos, nem elementos ou pseudoelementos. Simples assim!

Para ajudar a fixação do conceito, tente responder: dado um conjunto

de regras CSS, entre os seletores #content article ul e #content

.list, ambos servindo perfeitamente para estilizar listas dentro de um contêiner, qual dos dois teria mais peso e entraria em ação?

Fazendo os cálculos:

#content article ul = 0,1,0,2

#content .list = 0,1,1,0

No seletor #content article ul existe 0 estilos inline; 1 ID; 0 classes, pseudoclasses e atributos; 2 elemento ou pseudoelemento. Já no #content

.list, 0 estilos inline; 1 ID; 1 classe, pseudoclasses ou atributo; 0 elemento ou pseudoelemento.

Como 0110 > 0102, a regra com o seletor #content .list teria mais peso, além de também ser um seletor CSS com melhor performance, como se

verá a seguir.

10

Casa do Código

Capítulo 2. Seletores CSS

Para treinar bastante, invente alguns seletores sem pensar no peso e de-

pois tente chegar ao seu cálculo. Para conferir se você acertou, use a Calcula-dora de especificidade CSS: http://goo.gl/ekN1G0.

Casos especiais na especificidade CSS

Existem alguns casos especiais na especificidade CSS:

• Empate;

• !important.

No caso de acontecer um empate, ou seja, duas ou mais regras em um

mesmo conjunto de folhas de estilo com o mesmo peso, a cascata CSS entra em ação.

Ao usar !important, o valor da respectiva propriedade ganha priori-

dade sobre quaisquer efeitos da especificidade. Havendo conflito entre vários

!important, novamente entra em ação o efeito cascata, com precedência

das CSS de usuário às de autor.

!important foi originalmente criado para ser usado somente como

uma maneira de sobrepor regras de folhas de estilo de autor. Infeliz-

mente, seu uso se espalhou da maneira errada e, atualmente, ele é usado

indiscriminadamente: por preguiça e/ou desconhecimento da especifi-

cidade CSS.

Agora que você já conhece sobre a especificidade, comece a usar

!important somente para o fim a que se destina!

Como explicado anteriormente, toda regra CSS tem sua especificidade

implícita; ou seja, você já estava valendo-se disso mesmo sem saber. A ideia é que, a partir de agora, você faça uso dos benefícios da especificidade CSS

conscientemente. Ao utilizá-la, você escreverá melhores seletores e escapará de situações em que, sem este conhecimento, não se compreende bem por

que “tal” ou “qual” propriedade não está sendo apresentada, mesmo tendo

sido declarada.

11

2.2. Como seletores CSS são interpretados

Casa do Código

2.2

Como seletores CSS são interpretados

No dia a dia de trabalho com CSS, infelizmente, não é tão comum o desenvolvedor prestar atenção em como está escrevendo seus seletores CSS. A imensa maioria não recorda que a forma como os seletores são escritos influencia a performance de seu CSS, afetando diretamente a qualidade do código e como (de que maneira) essas regras são avaliadas pelo interpretador. É mais ou menos como acontecia com a especificidade CSS antes de você ter lido o tópico anterior.

Vale sempre lembrar que pelo menos 80% das questões de performance

de web sites são referentes a front-end (http://goo.gl/mNbo45) . Portanto, é interessante e, em alguns casos, vital para o sucesso de um site, que os seletores CSS sejam escritos e otimizados de modo a garantir o melhor desempenho

possível!

É verdade que as dicas apresentadas a seguir aplicam-se, principalmente, a sites de alto desempenho, nos quais a velocidade é uma característica imprescindível e mil elementos podem estar presentes no DOM. Porém, não

importa se você está desenvolvendo o próximo Facebook ou um site para o

decorador local: as melhores práticas são as melhores práticas!

Seletores CSS não são novidades para você. Os seletores mais básicos

são de tipo (exemplo:

div), ID (exemplo:

#header) e classe (exem-

plo:

.tweet), respectivamente. Os mais incomuns incluem pseudoclas-

ses comuns (exemplo: :hover) e seletores CSS3 mais complexos, incluindo

:first-child ou [class^="grid-"].

Seletores têm uma eficiência inerente que, partindo dos mais eficientes

para os menos eficientes, são:

• ID ( #header);

• Classe ( .promo);

• Tipo ( div);

• Irmão adjacente ( h2 + p);

• Filho ( li > ul);

12

CSS Eficiente

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Capítulo 2. Seletores CSS

• Descendente ( ul a);

• Universal ( *);

• Atributo ( [type="text"]);

• Pseudo-classe/Pseudo-elemento ( a:hover).

É importante notar que, apesar de, tecnicamente, um ID ser mais rápido e mais performático, esta diferença é mínima, até desprezível (como será mostrado no decorrer do livro).

Combinando seletores CSS

É possível ter seletores independentes, como #nav, que vão selecionar

qualquer elemento de ID “nav”, ou você pode combinar seletores, como #nav a, que vão corresponder a qualquer link/ âncora dentro de qualquer elemento de ID de “nav” (no caso, seria somente 1 por página, por tratar-se de ID).

Pode parecer estranho e um pouco difícil de se entender rapidamente,

mas, diferentemente do que a maioria dos ocidentais, que costumam ler da esquerda para a direita, seletores CSS são lidos da direita para a esquerda pelos navegadores. Para tentar compreender o motivo pelo qual os browsers fazem isso, lembremo-nos daqueles jogos de “encontre o caminho” que brincávamos nas revistas da nossa infância. Todos nós iniciávamos a resolução pelo objetivo final do emaranhado de trajetórias, retrocedendo até um dos pontos iniciais possíveis.

Fig. 2.1: Você já brincou com isso, admita!

13

2.2. Como seletores CSS são interpretados

Casa do Código

É mais eficiente para um navegador começar sua procura por combina-

ções a partir do elemento mais à direita (o que ele sabe que receberá o estilo) e trabalhar o seu caminho de volta através da árvore de DOM, do que come-

çar no alto dessa árvore e percorrer o caminho para baixo, pois poderia nem mesmo acabar no seletor que precisa receber a estilização (também conhecido como seletor-chave).

Já deu pra ter uma noção, mas, caso queira uma explicação mais deta-

lhada, confira o tópico CSS Selectors parsed right to left. Why? no Stack Overflow (http://goo.gl/IXCgic) .

O seletor-chave

O seletor-chave, como discutido, é a parte mais à direita de um sele-

tor CSS. Ele é o que o interpretador do browser procura em primeiro lugar.

Lembre-se da ordem dos seletores mais eficientes que abordamos anterior-

mente. Seja qual for o seletor-chave da vez, ao escrever CSS eficiente, é este seletor que contém o segredo do alto desempenho!

Um seletor como:

#content .intro { }

O navegador procurará todas as instâncias de .intro e, depois, começar

a subir no DOM até encontrar o elemento #content.

No entanto, o seguinte seletor não é muito performático:

#content * { }

O que ele faz é olhar para cada elemento da página (para cada um,

mesmo!)

e, em seguida, checar se qualquer um deles é descendente de

#content. Este é um seletor com performance ruim e, como seletor-chave, é muito “expensivo”. Usando este conhecimento, é possível tomar melhores decisões quanto ao modo de classificar e selecionar elementos.

Vamos dizer que, em uma página realmente grande de um site realmente

enorme, há centenas ou, mesmo, milhares de elementos a. Há, também, uma

pequena seção de links de mídia social em um ul com um ID “social”, com 3

links, digamos que: Twitter, Facebook e Google+, além de incontáveis outras âncoras.

14

Casa do Código

Capítulo 2. Seletores CSS

Portanto, seria excessivamente custoso e nada performático um seletor

como:

#social a { }

O que vai acontecer aqui é que o navegador vai avaliar todos os milhares de links na página antes de fazer o match com os de #social. O seletor-chave corresponde a muitos outros elementos que nada têm a ver com a estilização pretendida.

Para remediar a situação, uma solução possível seria adicionar um seletor mais específico e explícito, .social-link, para cada um dos a da área

social. Porém, isso iria contra o fato de que não é aconselhado colocar classes desnecessárias na marcação quando é possível usar uma solução mais enxuta.

É por isso que o desenvolvimento web focado em desempenho é algo

tão interessante. Um estranho equilíbrio entre melhores práticas de padrões web e performance!

Considere o seguinte código HTML:

<ul id="social">

<li><a href="#" class="twitter">Twitter</a></li>

<li><a href="#" class="facebook">Facebook</a></li>

<li><a href="#" class="gplus">Google+</a></li>

</ul>

Com o seguinte CSS:

#social a { }

Agora, veja este outro HTML:

#social .social-link { }

Ou, dependendo da marcação presente:

.social-link { }

Esse novo seletor-chave vai corresponder a poucos elementos, o que sig-

nifica que o navegador conseguirá interpretar a estilização mais rapidamente e passar para a próxima coisa a ser feita.

15

2.2. Como seletores CSS são interpretados

Casa do Código

Lembre-se de que seletores-chave determinam quanto trabalho o navega-

dor terá de fazer. Preste bastante atenção neles!

Superqualificando seletores

Você já viu o que é um seletor-chave e que é nele que está a maior parte do trabalho que o interpretador de CSS do navegador tem de fazer. A boa notícia é que é possível trabalhar para otimizá-lo ainda mais! A melhor coisa sobre ter bons seletores-chave explícitos e criar CSS eficiente e de qualidade é que é possível evitar a “superqualificação” de seletores.

Um seletor superqualificado se parece com:

html body .wrapper #content a { }

O navegador tem que olhar para todos os elementos a, verificar se está

em um elemento de ID content respectivamente e assim por diante, até chegar em html. Isso está fazendo com que ele passe por caminhos que, realmente, não precise, sendo pelo menos 3 desses elementos no seletor totalmente desnecessários.

#content a { }

Um outro exemplo, infelizmente, bastante comum:

ul#nav li a { }

Já se sabe que, se o a está dentro de li, que tem que estar dentro de

#nav, de modo que é possível, eliminar o li do seletor logo de cara. Como o

#nav é um ID (e já sabemos que só podem existir IDs únicos e exclusivamente nominados na página), o elemento ul também pode ser eliminado.

Uma forma melhor (mas ainda não ideal) de se escrever, seria:

#nav a { }

Seletores superqualificados fazem com que o navegador trabalhe mais

do que precisa e deveria. Construa seletores mais enxutos e de alto de-

sempenho, eliminando as partes desnecessárias.

16

Casa do Código

Capítulo 2. Seletores CSS

Toda essa otimização de seletores é realmente necessária?

A resposta curta é: provavelmente, não.

A resposta mais longa é que depende do site que está sendo desenvol-

vido. Se você está trabalhando no próximo projeto de seu portfólio pessoal, dê preferência a escrever um código limpo em detrimento à performance de CSS, porque, neste caso, não fará tanta diferença. Agora, se você está cons-truindo a próxima Amazon, microssegundos de velocidades na página farão

a diferença!

Entretanto, independentemente do tamanho do seu projeto, os navega-

dores interpretarão de forma igual e terão o mesmo trabalho de análise das regras CSS. Se estiver escrevendo algo como:

div:nth-of-type(3) ul:last-child li:nth-of-type(odd) * {

font-weight: bold;

}

Você, muito provavelmente, está fazendo a coisa errada!

Porém, se seu humilde projeto web começa a expandir e a ter cada vez

mais acessos, crescendo exponencialmente acima do esperado de uma hora

para a outra, os recursos despendidos para otimizar o CSS serão o melhor investimento a ser feito? Será que não haverá arrependimentos por não ter escrito um bom CSS desde o começo se isso acontecer? Fica a questão.

2.3

Não use IDs como seletores CSS

Quando se está aprendendo a trabalhar com CSS, é comum que se estude logo no início as diferenças entre IDs e classes; quais vantagens e desvantagens cada um apresenta; como e quando usar um ou outro e assim por diante.

Mas, após a realização de alguns testes de performance, pode ser que esse aprendizado original precise de uma pequena revisão.

Quando se é desenvolvedor web, fazer com que códigos e/ou marcações

sejam cada vez melhores, independente de em qual linguagem estiverem, é

praticamente inerente ao ofício. Com isso em mente, algumas considerações interessantes podem ser encontradas, principalmente em relação ao uso de 17

2.3. Não use IDs como seletores CSS

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seletores de ID em CSS, após se fazer alguns testes com performance em folhas de estilo.

Porém, existem alguns pontos que merecem ser levados em consideração:

• Performance;

• Fragmentação;

• Tradição.

Performance

Pergunte para qualquer codificador CSS e ele responderá que os seletores de ID são os mais rápidos. Entretanto, isso vem com uma grande limitação: IDs são os seletores mais rápidos somente se forem os seletores-chave.

Para um seletor #home a, chega a ser até normal supor que o browser

vai localizar o elemento de ID home e aplicar os valores das propriedades em todos seus links. Rapidíssimo, não é? Agora, veja o que realmente acontece: ele pega todos os elementos a e verifica se são descendentes imediatos de

#home. Caso não seja, vai checando os ascendentes até chegar a <html>.

Será que a diferença de performance é tão grande mesmo? Para ter cer-

teza, foram feitos 3 testes usando o Criador de Testes CSS de Steve Souders (http://goo.gl/Dwf TuC) . Cada um deles utilizou 1000 elementos que foram selecionados a partir de IDs individuais, classes ou IDs com os seletores a. As páginas foram recarregadas diversas vezes para pegar a média dos resultados (números em ms).

18

CSS Eficiente

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Capítulo 2. Seletores CSS

Fig. 2.2: Média de resultados dos testes (ms)

Para as 1000 regras testadas, os IDs mostraram-se cerca de 1 milésimo de segundo mais rápido do que as classes como um seletor-chave. Em outras

palavras, a diferença de desempenho entre IDs e classes é irrelevante!

O cenário mais comum de se usar um ID como namespace de um ele-

mento (sendo este o seletor-chave) é realmente mais lento do que usando

uma classe. Mas, novamente, somente com 13 milissegundos de diferença.

Isso também é válido para os poucos bytes extras para adicionar uma

classe a um elemento que já tenha um ID, por exemplo, mudando <div

id="search"> para <div id="search" class="search">.

Porém, isso não quer dizer que todos os seletores sejam iguais. O sele-

tor universal * e alguns CSS3 têm desempenho relativamente fraco quando

usados como seletores-chave.

19

CSS Eficiente

2.3. Não use IDs como seletores CSS

Casa do Código

Fig. 2.3: Desempenho de seletores: porcentagem por tipo de seletor

No entanto, usando seletores CSS, não se torna um problema se for para

1 a 2 seletores (elementos e/ou classes). O impacto na sua performance é pe-queno se comparado a outras coisas, como otimização de imagens ou redução de requisições HTTP. Esse tipo de coisa é o que realmente importa quando se tem a performance do site como fator preponderante.

Fragmentação

Além de serem “anzóis de estilo”, IDs são utilizados como identificadores de fragmentos específicos da página (um href que termina em #ancora



leva ao elemento de ID âncora) e para uso de JavaScript. Se já existem IDs na página por outras razões, por que não reutilizá-los para estilizar? O problema é que isso torna o código fragmentado: há dependências entre CSS e JavaScript e/ou um identificador de fragmento. Usando classes, é possível decidir mudar para um (novo) esquema de nomeação a qualquer momento e tudo

com que é preciso se preocupar é alterar alguns nomes no CSS e HTML.

Existem muito poucos casos em que estilos baseados em ID nunca serão

reutilizados. Um exemplo é usar #search para a caixa de busca do site.

Pode-se decidir mais tarde que uma nova caixa de busca será adicionada em outro local (abaixo dos resultados de busca, por exemplo).

Mesmo ele sendo único nesse projeto, talvez você queira um pouco de

CSS rápido para copiar e colar em um projeto futuro, que também pode ter uma caixa de pesquisa no rodapé da página. Ainda que para um grupo complexo de folhas de estilo, é possível dividir esses padrões em vários trechos reutilizáveis de CSS. Usar classes em vez de IDs impede que esses problemas potenciais venham à tona.

20

Casa do Código

Capítulo 2. Seletores CSS

Ao contrário de IDs, não há nenhuma restrição em usar várias classes, tanto em mais de uma vez na página, quanto várias delas em um mesmo elemento. Navegadores ainda estilizarão IDs, mesmo se, por engano, houver

duplicação em uma página. Mas aventurar-se fora do HTML válido o torna

propenso a problemas.

Tradição

Estilizar com IDs e classes são uma das primeiras coisas que aprendemos

sobre CSS. Por isso, pode ser um desafio ler que não se deve usar IDs em seletores CSS. O ramo do desenvolvimento web está sempre mudando. Oca-sionalmente, precisamos reavaliar o que funciona ou não, em vez de apenas ficar com o que está nos servido bem, sem questionamentos.

No momento, estamos passando por um renascimento maciço com

HTML5, CSS3, desempenho de JavaScript e outros eventos. Logo, é um bom

momento para esse repensar. É importante examinar as razões de forma ra-

cional e decidir se as questões apresentadas são realmente válidas, em vez de rejeitá-las de antemão.

Conclusão

Como pôde ser constatado, parece que não há razões convincentes para

se usar IDs em seletores CSS (a não ser para namespaces, uso de widgets e plugins específicos em CMSs e casos similares). Classes podem fazer tudo o que IDs fazem! Pense nisso na próxima vez que iniciar um projeto e tente trabalhar com classes, deixando os IDs para identificadores de fragmentos ou hooks para JavaScript.

Agora que já vimos mais sobre especificidade e algumas boas práticas,

veremos no próximo capítulo como dar o próximo passo na eficiência de seu CSS conhecendo CSS orientado a objetos.

P.S. : aquela conversa de pedir para seu gerente de projetos me enviar e-mails foi brincadeira. É sério. Não faça isso!

21

Capítulo 3

CSS orientado a objetos

Apesar de ser possível encontrar alguns desenvolvedores web que praticam as duas artes milenares principais da profissão (front-end e back-end), o mais comum é que se escolha uma dessas áreas para investir e seguir com os estudos. Mesmo que você não seja versado nos místicos conhecimentos do back-

end, pelo menos já deve ter ouvido falar em Orientação a Objetos.

Tentando abstrair e simplificar o máximo possível, o objetivo do para-

digma é evitar repetição de código. Tenho total desapreço à palavra ‘paradigma’, mas pesquisas mostram que livros que a têm, em pelo menos uma

ocorrência, contam com vendagem 12,73% superior.

No final do dia e, por “dia”, leia-se: décadas de esforços combinados por desenvolvedores do mundo inteiro , a Orientação a Objetos está aí para ajudá-

los a não repetir código e, consequentemente, facilitar sua expansão e manutenção, por meio de seus inúmeros métodos e técnicas.

Casa do Código

Em 2009, devido à comprovada eficiência do paradigma, a desenvolve-

dora Nicole Sullivan (ex-Yahoo!) teve a ideia de trazer o site para o front-end para que o objetivo principal também pudesse ser almejado em CSS. Assim

surgiu o CSS orientado a objetos. Na verdade, ela chamou de Object Oriented CSS (OOCSS); isso é uma tradução.

Dê uma boa olhada no códigos CSS de seus últimos projetos e veja que

muita repetição desnecessária de propriedades. Quantas declarações para definir fontes, espaçamentos e posicionamentos repetidas, linha por linha, existem? Calma, não precisa contar realmente; é apenas para enfatizar que é comum de acontecer. Isso acaba gerando problemas de médio prazo que

atrapalham o andamento de qualquer projeto que se preze.

A boa notícia é que existe uma cura: CSS orientado a objetos.

Para deixar bem claro, não se trata de mudar a sintaxe do CSS ou ins-

talar algum pacote mágico que o fará melhor. CSS orientado a objetos é

uma metáfora para indicar que é possível escrever um CSS mais eficiente, sem repetições, que enseje a projetos mais profissionais. No caso do que é mostrado neste capítulo, é considerado por alguns até como framework.

CSS orientado a objetos visa resolver alguns problemas clássicos de CSS, tais como:

• A dificuldade de tocar projetos de médio/grande porte; é preciso ser

um expdert para isso;

• O tamanho dos arquivos CSS é cada vez maior conforme o projeto evo-

lui;

• Reúso de código quase inexistente (pessoas não confiam em código

alheio);

• Código frágil (até o melhor código pode se perder quando um não ex-

pert mexe nele).

24

Casa do Código

Capítulo 3. CSS orientado a objetos

Se você analisar estes itens, facilmente constatará que o problema que os origina é, além da falta de padronização de código, não planejar para escrevê-

los! Ou seja, não há mais reflexão a respeito da aplicação da tecnologia CSS, ou, se preferir, o não amadurecimento profissional da maioria dos que a aplicam.

Segundo a Dona Sullivan (http://goo.gl/VUV2xA) , as soluções que

emergem do uso de OOCSS são inúmeras (e tentadoras), tornando seu CSS:

Modular: combinável, reusável e extensível;

Leve: relacionamento 1:N entre CSS e potenciais layouts;

Rápido: poucas requisições HTTP e tamanhos mínimos de arquivos;

Pronto para o futuro: manutenível, semântico e padronizado;

Simplificado e acessível: um bombonzinho!

Se, na sua opinião, essas são características desejáveis a um código CSS, continue lendo.

3.1

Princípios básicos de CSS orientado a obje-

tos

Dentro da proposta de OOCSS, existem dois princípios mais importantes:

• Separar estrutura e skin;

• Separar contêiner e conteúdo.

Separar estrutura e skin significa repetir características visuais como

“skins” separadas, que podem ser combinadas em vários “objetos” para

conseguir-se uma extensa gama de variações visuais sem muito código. Por exemplo, backgrounds e estilos de borda.

A diretriz também pode significar o uso de classes para nomear objetos

e componentes, em vez de confiar somente na semântica HTML. Por exem-

plo, um objeto de mídia com class="media" e seus componentes com 25

3.1. Princípios básicos de CSS orientado a objetos

Casa do Código

class="img" (para componentes de imagem e vídeo) e class="bd" (para componentes de texto). Ao referenciar essas classes nas folhas de estilo, o HTML ganha uma flexibilidade maior; ou seja, se um novo elemento de mí-

dia surgir nos próximos anos (como <svg>), ele pode receber a estilização sem que seja preciso mexer em 1 linha de CSS!

Separar contêiner e conteúdo essencialmente quer dizer: raramente use estilos que dependam de localização. Idealmente, um objeto deve parecer-se igual, independentemente de onde estiver na página, ou mesmo se trocar de página.

Em vez de estilizar um título secundário específico com .myObject h2

{ }, crie e aplique uma classe que descreva o elemento em questão, como

<h2 class="category-title">. Isso garante que:

• Todos os <h2> sem a classe não sejam afetados inadvertidamente;

• Todos os <h2> com a classe tenham o mesmo estilo;

• Não é preciso criar estilos extras para os casos em que seja preciso que um .myObject se pareça com um <h2> não estilizado.

O que é “objeto” em OOCSS?

Continuando com a metáfora de Orientação a Objetos (OO), um objeto

em CSS é análogo a uma instância de uma classe Java ou PHP, por exemplo.

Um objeto CSS é formado por 4 elementos:

• HTML, que pode ser 1 ou mais nós do DOM;

• Declarações CSS, que estilizam estes nós, começando com o nome da

classe referente ao wrapper;

• Componentes como imagens de background e sprites, por exemplo;

• Comportamentos JavaScript, listeners ou métodos associados.

Isso pode ser confuso porque cada classe CSS não é um objeto necessari-

amente, mas pode ser uma propriedade de uma classe wrapper. Por exemplo: 26

Casa do Código

Capítulo 3. CSS orientado a objetos

<div class="mod">

<div class="inner">

<div class="hd">Bloco Head</div>

<div class="bd">Bloco Body</div>

<div class="ft">Bloco Foot</div>

</div>

</div>

O objeto é um módulo, indicado pela classe mod. Ele contém 4 nós-

propriedades (que não podem existir sem o módulo), incluindo 2 regiões

obrigatórias ( inner e bd) e 2 regiões opcionais ( hd e ft).

OOCSS e performance

Valer-se de OOCSS também traz o benefício da performance, que é duplo:

Intenso reúso de código: o que significa menos código CSS, arquivos menores e transferências mais rápidas;

Menos repaints e reflows: se não sabe o que isso significa, leia o artigo: O que todo desenvolvedor front-end deve saber sobre renderização

de páginas web (http://goo.gl/9rCo4B) .

3.2

Exemplos de objetos

Existem diversos tipos de “objetos” em OOCSS. Veja exemplos de alguns deles a seguir para fixar melhor os conceitos e aliar teoria à prática.

Media

O objeto Media permite que você tenha uma imagem (ou flash) ou outro

tipo de mídia com tamanho fixo à esquerda ou direita com algum conteúdo

que a descreva no centro.

Classes:

• .media: wrapper do objeto Media;

• .img: nó-filho do objeto Media, sendo geralmente um link ou imagem,

aparecendo à esquerda do nó .bd (opcionalmente consta no objeto);

27

3.2. Exemplos de objetos

Casa do Código

• .bd: área principal de conteúdo do objeto Media, pode conter quais-

quer outros objetos (obrigatório constar no objeto);

• .imgExt: nó-filho do objeto Media, sendo geralmente um link ou ima-

gem, aparecendo à direita do nó .bd (opcionalmente consta no ob-

jeto).

HTML:

<div class="media">

<a href="http://twitter.com/stubbornella" class="img">

<img src="http://a3.twimg.com/image.jpg"

alt="Stubbornella">

</a>

<div class="bd">

<a href="http://twitter.com/stubbornella">

@Stubbornella

</a>

<span class="detail">14 minutos atrás</span>

</div>

</div>

Data Table

O objeto Data Table se destina a formatar uma tabela corretamente

para determinados tipos de dados.

Classes:

• .data: wrapper do Data Table;

• .txtL: alinha à esquerda, sendo o padrão (aplicável em table, tr,

td ou th);

• .txtR: alinha à direita (aplicável em table, tr, td ou th);

• .txtC: alinha ao centro horizontal (aplicável em table, tr, td ou

th);

• .txtT: alinha ao topo (aplicável em table, tr, td ou th);

28

Casa do Código

Capítulo 3. CSS orientado a objetos

• .txtB: alinha ao fundo (aplicável em table, tr, td ou th);

• .txtM: alinha ao centro vertical (aplicável em table, tr, td ou th).

HTML:

<div class="data">

<table class="txtC"><!-- alinhamento da tabela ao centro -->

<tr class="odd txtL">

<th scope="row" class="txtR">

Alinhado à direita

</th>

<td>Alinhado à esquerda</td>

</tr>

<tr class="even">

<th scope="row">Alinhado ao centro</th>

<td>Alinhado ao centro</td>

</tr>

</table>

</div>

Existem bem mais objetos, mas, como informado anteriormente, estes

exemplos foram somente para se ver algo aplicado na prática. No reposi-

tório oficial (http://goo.gl/6ZqGKo) , é possível encontrar tudo e mais um pouco sobre OOCSS. Contudo, para conseguir mexer com segurança, você

precisa conhecer um pouco sobre pré-processadores CSS, assunto de um ca-

pítulo vindouro.

3.3

Conclusão

A Sra. Sullivan na verdade, não sei se ela é casada, mas mantenho o Sra.

em sinal de respeito gentilmente disponibilizou um wiki no GitHub (http:

//goo.gl/rBwNjN) . O repositório contém um projeto bem ferramentado para brincar com OOCSS, contando com uma configuração de VM com Vagrant,

comandos make e outras características bonitas de se ver, e um domínio com exemplos práticos dos conceitos de OOCSS para facilitar a disseminação de suas ideias (http://goo.gl/cCFAhH) . Acessando essas referências, você pode 29

3.3. Conclusão

Casa do Código

encontrar mais informações a respeito de CSS orientado a objetos e continuar seus estudos.

A ideia de trazer conceitos de Orientação a Objetos para CSS foi louvá-

vel, mas, na prática, a proposta apresentada por Nicole é um tanto engessada, dado que é preciso conhecer o que está disponível e trabalhar com classes e estruturas predefinidas. Não seria interessante se tudo isso fosse um pouco mais flexível e, como plus, tivesse algum tipo de aprimoramento de arquitetura?

OOCSS inspirou muitos desenvolvedores a realizar trabalhos melhores

e, até, a desenvolver novas soluções inspiradas/baseadas na ideia de desacoplamento e reúso intenso de CSS. É o caso de SMACSS, que você verá no próximo capítulo.

30

Capítulo 4

SMACSS

Jonathan Snook é um desenvolvedor canadense que, assim como você, per-cebeu que a maneira como o CSS é escrito e gerenciado poderia ser melhor.

Evidentemente, o fato de ter trabalhado durante anos em um sem-número de projetos inclusive para grandes empresas, como Yahoo!, mesma empresa que Sullivan, do CSS orientado a objetos, do capítulo 3) o ajudou a constatar isso.

Ante tamanha indignação e com intuito de auxiliar os colegas desenvolvedores, como também a si próprio, decidiu normatizar determinadas regras para que isso fosse possível. Em 2011, 2 anos depois do surgimento de OOCSS,

surgia a SMACSS.

SMACSS (pronuncia-se “smacks”) significa Scalable and Modular Archi-

tecture for CSS (ou Arquitetura Escalável e Modular para CSS). Ela está mais para uma normatização, como foi dito, do que para uma “invenção CSS”. Foi algo que surgiu em virtude da análise do trabalho do próprio Snook e de colegas ao observar as melhores práticas para estruturar código CSS em grandes

4.1. Introdução a SMACSS

Casa do Código

projetos, mas que, como você verá logo a seguir, pode ser usado em projetos de qualquer porte.

Nas palavras do próprio Jonathan, SMACSS está mais para um guia do

que para um framework, como alguns costumam considerar. Não se trata

de nenhum arquivo que precise ser baixado ou ser instalado. Trata-se, na verdade, de tentar documentar uma abordagem prática, útil e consistente ao escrever CSS.

Por esse mesmo motivo, não precisa ser seguido à risca necessariamente:

pode-se, depois de aprender SMACSS, aplicar o que se julga mais conveniente para determinado projeto ou incorporar somente as partes que fazem sentido para você ao seu próprio know-how de desenvolvimento.

Este capítulo não tem a pretensão de substituir o conhecimento que se

encontra no livro oficial, que pode ser adquirido em https://smacss.com/ por um precinho muito camarada. Ao contrário, pretende apresentar SMACSS e

passar por suas principais diretrizes para que você possa conhecer mais a respeito. Ao constatar que é um método que realmente vale a pena ser aprendido mais a fundo, você pode optar por adquirir o livro e saber de mais detalhes e nuances a respeito.

4.1

Introdução a SMACSS

Um dos primeiros conhecimentos que se adquire em SMACSS é a respeito da

estrutura e organização de seus arquivos. Mesmo em projetos de médio porte, raramente é possível encontrar todas as regras CSS em um único arquivo de desenvolvimento! Em SMACSS, existem 5 categorias básicas de organização

de código CSS:

• Base;

• Layout;

• Module (Módulo);

• State (Estado);

• Theme (Tema);

32

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

Regras Base são as regras padrão. São quase que exclusivamente seletores de elementos, mas também pode haver seletores de atributos, pseudoclasses ou seletores mais avançados, como seletores-irmãos.

Regras Layout dividem a página em seções, podendo conter 1 ou mais módulos.

Módulo contém as regras principais de um projeto, as que dão o “vo-lume” de CSS. Elas são, como indica o próprio nome, as partes modulares e, consequentemente, as mais usadas.

Regras Estado descrevem como determinado layout ou módulo se com-

porta em determinada condição ou “estado” (ativo ou inativo; oculto ou visí-

vel). Também descrevem como um módulo pode ser diferente dependendo

da página em que está; por exemplo, ser apresentado de um jeito na página inicial e de outro em uma interna.

As regras Tema são similares às Estado, haja vista que descrevem como layouts ou módulos devem se parecer em determinadas situações. A maioria dos sites não precisa de temas, mas é bom estar preparado para quando for o caso.

Não é necessário preocupar-se em decorar as categorias; você as fixará

com o tempo e prática de SMACSS. Preocupe-se, neste momento, em saber

que a ideia é que o CSS seja organizado em vários arquivos, separados por

“função”, com regras/ linhas-guia específicas que se aplicam a cada “tipo” e sua razão de existir.

Com essa organização, torna-se possível evitar repetições de regras e o

código fica muito mais organizado e manutenível, além de também facilitar bastante o período de adaptação e entendimento de projeto de novos partici-pantes que também conheçam SMACSS. Criam-se padrões, certamente algo de que todo projeto que almeje contar com o status “profissional” precisa.

4.2

Nomenclatura

Valer-se de determinadas regras de nomenclatura é conveniente ao se separar as regras nestas 5 categorias, porque ajuda a identificar, de imediato, a qual delas certa folha de estilo pertence e seu papel no escopo geral do projeto.

Convencionou-se usar um prefixo para diferenciar entre Layout, Módulo

33

4.3. Base

Casa do Código

e Estado:

• Usar l- (ou layout-) para Layouts;

• Usar is- para Estados (exemplo: is-hidden, is-collapsed);

• Não usar prefixo m- ou module- para Módulos; por serem as folhas

de estilo em maior número em projetos, torna-se desnecessário.

Veja alguns exemplos:

/* Módulo "Example" */

.example { }

/* Módulo "Callout" */

.callout { }

/* Módulo "Callout" com Estado */

.callout.is-collapsed { }

/* Módulo de campo de formulário */

.field { }

/* Layout "Inline" */

.l-inline { }

4.3

Base

Regras Base são aplicadas a elementos usando seletor de elemento, de seletor-descendente ou de seletor-filho, além de pseudoclasses. Não estão inclusos seletores de ID e classes.

Servem para definir como é a aparência padrão de determinados elemen-

tos todas as vezes em que estes aparecem nas páginas do projeto. Incluem especificações de tamanhos de títulos, aparência padrão de links, estilos de fontes, backgrounds gerais etc. Geralmente, não há necessidade de se usar

!important em estilos Base.

Exemplo:

34

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

body,

form {

margin: 0;

padding: 0;

}

input[type="text"] {

border: 1px solid #999;

}

a {

color: #039;

}

a:hover {

color: #03c;

}

Também servem de exemplo aqueles CSS reset, com regras que “zeram”

determinadas propriedades para tentar uniformizar a apresentação entre navegadores. Embora eu considere a abordagem de usar um “padronizador”,

como normalize.css (http://goo.gl/TxmiBv) , mais eficiente.

Veja outro exemplo de uma folha de estilo Base, extraído de um projeto

real meu:

*,

*:before,

*:after { box-sizing: border-box; }

/* @see http://stackoverflow.com/a/2610741/922143 */

::-webkit-input-placeholder { /* WebKit browsers */

color: #333;

}

:-moz-placeholder { /* Mozilla Firefox 4 to 18 */

color: #333;

opacity: 1;

}

35

4.4. Layout

Casa do Código

::-moz-placeholder { /* Mozilla Firefox 19+ */

color: #333;

opacity: 1;

}

:-ms-input-placeholder { /* Internet Explorer 10+ */

color: #333;

}

body {

font-family: Arial, sans-serif;

overflow-x: hidden;

}

h1,

h2,

h3,

h4,

h5,

h6 {

letter-spacing: 1px;

}

figure {

margin: 0;

}

input,

select,

textarea {

font-size: 1rem;

}

4.4

Layout

Layout pode ser entendido de muitas maneiras diferentes, dependendo de seu contexto e da área de atuação em que a palavra é usada. No caso de SMACSS, 36

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

é preciso diferenciar entre os componentes maiores e menores que formam

uma página, sendo aqueles as regras Layout e, estes, Módulos, que serão vistos logo em seguida.

Para facilitar o entendimento, relembre da explicação dada anterior-

mente: layouts podem conter 1 ou mais módulos. Eles também podem ser

divididos entre “maiores” e “menores” (bem menos comuns), baseando-se na sua frequência de reúso nas páginas de um projeto.

Apesar daquele princípio de que não se deve usar IDs como seletores CSS

(2.3), em SMACSS não é tão incomum seu uso para designar layouts maiores, como headers, footers etc. Contudo, não há nenhum tipo de problema em

continuar não usando IDs como seletores CSS.

Exemplo de regras de Layout:

#header,

#article,

#footer {

margin: auto;

width: 960px;

}

#article {

border: solid #ccc;

border-width: 1px 0 0;

}

Geralmente, seletores de layout são únicos (razão da leniência ao usar

IDs), mas há casos em que ele precisa responder a alguns fatores. Por exemplo, um site pode apresentar layouts diferentes baseado na preferência de quem o está acessando. Nesse caso, essa regra continuaria sendo uma regra Layout em SMACSS, mas usada em combinação com outro estilo de layout.

Veja:

article {

float: left;

}

#sidebar {

37

4.5. Módulo

Casa do Código

float: right;

}

.l-flipped #article {

float: right;

}

.l-flipped #sidebar {

float: left;

}

No exemplo, .l-flipped seria aplicado a um elemento em nível acima,

como body, o que permitiria que o posicionamento dos principais compo-

nentes fosse alternado.

Ou, em um exemplo mais condizente às (irrefreáveis e irreversíveis) ten-

dências de web design responsivo:

#article {

float: left;

width: 80%;

}

#sidebar {

float: right;

width: 20%;

}

.l-fixed #article {

width: 600px;

}

.l-fixed #sidebar {

width: 200px;

}

4.5

Módulo

Como já citado brevemente, regras Módulo são o cerne de sua aplicação, comumente o que mais se trabalha em projetos que utilizam SMACSS. São com-

38

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

ponentes mais específicos, como barras de navegação, widgets e assim por diante.

Módulos se encontrarão dentro de layouts quase sempre. Também é pos-

sível que eles sejam usados dentro de outros módulos, o que, na verdade, é até comum de acontecer. Porém, tenha sempre em mente que, ao ser criado, seu objetivo é conseguir funcionar como um componente isolado (standalone).

Idealmente, deve ser possível usar quantos módulos forem necessários em

uma página, ou até mesmo trocar um de lugar ou, mesmo, de uma página

para outra sem que seja preciso realizar nenhum ajuste. Em função disto, para eles é estritamente proibido usar IDs e/ou seletores de elementos!

Só tome cuidado para não incorrer no erro de fazer algo como:

<div class="module">

<span>Tipo de Informação</span>

</div>

.module > h2 {

padding: 5px;

}

.module span {

padding: 5px;

}

Em um primeiro momento, ele atende aos requisitos de um módulo de ser

possível alterá-lo de lugar ou página e ser independente, não sendo afetado por estilos condicionais baseados em sua localização. Porém, além de essa solução apresentar um seletor ineficiente, pode ser necessário o acréscimo de outras informações que, não necessariamente, são apresentadas da mesma

maneira, como:

<div class="module">

<span>Tipo de informação</span>

<span>Outro tipo de Informação</span>

</div>

[...]

39

4.6. Estado

Casa do Código

O segundo <span> e quaisquer outros que ali forem colocados sem a intenção de receber essa mesma estilização serão afetados pelas mesmas regras que o primeiro. Se não for a intenção, será preciso “remendar” a situação com outras regras ou com o infame !important. Portanto, atenção a esse tipo de

“tentação” que, apesar de ser mais fácil de planejar e escrever, pode reservar surpresas desagradáveis para um futuro próximo!

Se você estiver se perguntando: “Mas como resolver isso?”, não se preo-

cupe, pois antes de terminar este livro você já terá visto bastante coisa sobre nomenclatura e semântica em CSS.

4.6

Estado

Em SMACSS, Estado é algo que serve para incrementar/ sobrescrever outros estilos, geralmente (e por convenção) com classes prefixadas com is-. Por exemplo, um menu ou seção com a aparência accordion pode estar no estado aberto ou fechado; uma mensagem do sistema pode estar em um estado de

sucesso ou erro.

Geralmente, estados são aplicados ao mesmo elemento como uma regra

de layout ou módulo. Por exemplo:

<div id="header" class="is-collapsed">

<form>

<div class="msg is-error">Mensagem de erro!</div>

<label for="searchbox" class="is-hidden">Buscar</label>

<input type="search" id="searchbox">

</form>

</div>

Outro ponto importante ao qual ficar atento é que geralmente estados

possuem vínculo com JavaScript (JS). Afinal, como se trata de um elemento que possui estados diferentes, é preciso alternar entre estes de alguma maneira quando algum trigger é acionado. Na atual tecnologia web disponível, isso é feito via JS.

Esta é mais uma convenção que ajuda bastante: (quase) sempre que vir

um prefixo is- sendo usado, automaticamente você já pode identificar que se trata de estado com dependência de código JavaScript.

40

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

Porém, também é possível se valer do atributo data- para trabalhar com

estados, dado que seletores de atributo também podem desempenhar bem

esse papel. Entretanto, mesmo usando-os, o JS ainda é necessário para realizar a alternância. Veja:

.btn[data-state="default"] {

color: #333;

}

.btn[data-state="pressed"] {

color: #000;

}

.btn[data-state="disabled"] {

opacity: .5;

pointer-events: none;

}

<button class="btn" data-state="disabled">Desabilitado</button> Como observação final, tratando-se de estados, na perspectiva de

SMACSS não há restrições em se usar !important, embora, para CSS, você

deva evitar sempre que possível.

Exceções e flexibilidade com regras de Estado

Haverá casos em que um estado será bastante específico e terá relação

com somente um módulo em particular.

Para esses casos em que uma regra de estado é feita especialmente para

algum módulo, o nome da sua classe deve ter o mesmo nome dele. Também, a regra pode estar no mesmo arquivo em que ele está, não havendo necessidade de ficar separado junto com os outros arquivos de estado.

Por exemplo:

.tab {

background-color: #800080;

color: #fff;

}

41

4.7. Tema

Casa do Código

.is-tab-active {

background-color: #fff;

color: #000;

}

4.7

Tema

O significado de Tema em SMACSS é o mesmo que em qualquer outro site que não a utiliza: um conjunto diferenciado de cores, imagens e elementos de UI que caracterizam o look & feel das páginas de um site.

Quanto à elaboração de SMACSS, o autor Jonathan Snook ficou em dú-

vida em destinar uma categoria especificamente para temas, dado que a porcentagem de projetos web que adotam seu uso não é tão alta assim. De qualquer maneira, para fins de organização, ele optou por destinar espaço para este tipo de situação, consequentemente tornando SMACSS uma arquitetura

mais robusta.

No final das contas, foi uma decisão inteligente, já que esta separação en-seja a uma troca/ substituição fácil de temas, quando necessário, geralmente em ocasiões em que o projeto quer servir uma skin diferenciada com algumas

“alterações cosméticas”. Por exemplo, ocasiões sazonais (datas comemorativas, como Páscoa, Natal etc.); alternativas para quem usa o site (disponibilizar uma skin masculina e uma feminina); um esquema de cores diferente a cada seção etc.

Para que essas alterações incluídas, aqui, fontes possam ser feitas dentro da arquitetura SMACSS, Tema pode alterar qualquer outra categoria, uma vez que, para atender a uma necessidade de criação de temas, pode ser preciso alterar estilos Base, Layout, Módulo ou Estado.

Na prática, o que acontece é o arquivo de um tema sobrescrever as re-

gras já estipuladas em quaisquer das outras categorias SMACSS para que a estilização necessária seja feita. Veja um exemplo de um tema alterando uma característica de um módulo:

/* module-name.css */

42

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

.mod {

border: 1px solid #000;

}

/* theme.css */

.mod {

border-color: #00f;

}

Sim, é tão simples quanto se valer das próprias características de cascata de CSS! Tendo um arquivo de tema pronto, para que este sobrescreva as regras de uma regra base, layout, módulo ou estado, basta carregar seu arquivo dinamicamente (via JavaScript) ou não.

Também existe outra possibilidade, caso se demande muita personaliza-

ção: regras específicas para o tema. Uma vantagem adicional para essa possibilidade é conseguir um ajuste fino de aparência, ao colocar as classes somente nos base, layout, módulo ou estado que se queira.

Um exemplo prático:

/* theme.css */

.theme-border {



border-color: #800080;

}

.theme-background {

background: linear-gradient(...);

}

Atente ao fato de que, caso opte por usar classes específicas de tema, existe a convenção de se usar o prefixo theme-.

4.8

Mais exemplos da prática de SMACSS

Como já citado anteriormente, este capítulo nunca teve a pretensão de substituir o conhecimento que se encontra no livro oficial de SMACSS. A parte 43

CSS Eficiente

CSS Eficiente

4.8. Mais exemplos da prática de SMACSS

Casa do Código

teórica a respeito já está de bom tamanho como proposta deste livro. Porém, para ajudar na fixação do que foi explicado, alguns exemplos práticos podem ser de bastante ajuda.

Estrututa de diretórios

Em projetos do mundo real, não importando qual seja a estrutura do pro-

jeto que abriga os estilos, geralmente cada uma das categorias de SMACSS fica separada por um diretório. Algo como:

Fig. 4.1: Estrutura de diretórios SMACSS

Não há quaisquer restrições em haver outros diretórios no mesmo nível

hierárquico dos que constituem as categorias de SMACSS.

Como foi visto, nem todos os projetos precisam de theme e, para os casos em que estados são feitos especificamente para um módulo, podem estar no mesmo arquivo que ele. Como SMACSS não é rígida, nada impede de o diretório state também ser dispensável, caso essa seja sua preferência. O que nos traz para:

Fig. 4.2: Estrutura de diretórios SMACSS sem state e theme

44

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

Vale lembrar novamente que SMACSS é sobre convenções não rígidas,

então faça como você e sua equipe acharem melhor. É possível até não que-rerem usar state e theme em um primeiro momento, mas deixar os diretórios presentes na estrutura caso se decidam ou precisem se valer deles.

Se você estiver usando Git para controlar as versões do projeto, basta adicionar um arquivo .gitkeep em cada um dos diretórios para que eles sejam considerados no repositório mesmo não tendo outros arquivos.

Arquivos na estrutura SMACSS

Dentro de cada diretório, portanto, constam os respectivos arquivos referentes àquela categoria SMACSS. Em um projeto fictício, poderíamos ter algo como:

Fig. 4.3: Estrutura de diretórios SMACSS com exemplos de arquivos

Neste projeto-exemplo, no diretório “base” a função dos arquivos, além

dos óbvios fonts.css e forms.css, seriam: base.css com regras mais

gerais referentes a elementos, tais como estilização de links, tamanhos de títulos, parágrafos e listas, entrelinhas etc.; e generics.css para classes genéricas, que podem ser usadas em qualquer ponto do site para surtir determinado efeito visual que se queira. Um trecho desse generics.css poderia ser:

45

4.8. Mais exemplos da prática de SMACSS

Casa do Código

[...]

.bold {

font-weight: bold !important ;

}

.italic {

font-style: italic !important ;

}

.uppercase {

text-transform: uppercase !important ;

}

.font-size-extra {

font-size: 150% !important ;

}

[...]

Note a presença de !important em cada uma dessas regras. Neste

exemplo, o motivo da existência dessas classes é que elas serão usadas em momentos em que suas respectivas estilizações se fizerem necessárias, sem que ocorram repetições desnecessárias. É bem mais rápido, prático e performático definir uma regra somente uma vez, usando uma classe que faça seus efeitos visíveis, do que repetir propriedades e valores em várias diferentes.

Como são genéricas, pode ser que o elemento em que sejam aplicadas já

tenha recebido alguma diretriz em contrário. Por exemplo, se determinado elemento foi estilizado com text-transform: capitalize;, dependendo do restante dos estilos pode não adiantar inserir a classe uppercase.

Logo, esse !important garante que a regra genérica tente prioridade e, de antemão, entre em ação sem que seja preciso mexer em mais estilos.

46

Casa do Código

Capítulo 4. SMACSS

Saiba quando quebrar regras

Foi dito anteriormente que, em estilos Base, geralmente não há ne-

cessidade de se usar !important. Este poderia ser um caso em que

se optaria por usar. Não há nenhum problema em quebrar regras, desde

que seja algo coerente e justificado, tal como o foi.

Quanto aos arquivos no diretório layout, geralmente são somente defi-

nições das estruturas principais das páginas do site. Mesmo que não se tenha quaisquer estilizações referentes a algum layout, muitos adeptos a SMACSS

criam os respectivos arquivos e definem uma regra vazia, somente para “de-marcar território” e, de quebra, ainda poupar um pouco de trabalho futuro, caso seja preciso.

Dessa forma, não haveria qualquer contraindicação em se ter somente

isto no arquivo footer.css:

.l-footer { }

Embora seja mais comum haver algumas propriedades e valores, como

em:

.l-footer {

background-color: #d0d0d0;

color: #333;

}

Em relação aos arquivos em modules, como já explicado, estes são o cerne das folhas de estilo dentro de uma arquitetura SMACSS; são os arquivos que conterão a maioria das regras. Por isso, esse é o diretório mais volumoso.

Faça como já está acostumado e escreva lindas, concisas e pensadas regras CSS para aplicar em seu projeto!

4.9

Conclusão

Como ficou evidente, SMACSS é uma arquitetura flexível, elaborada com base em anos de observação e experiência em projetos de alto nível.

47

4.9. Conclusão

Casa do Código

Se esta foi a primeira vez que você teve contato com SMACSS, o conse-

lho é que abrace a metodologia em alguns projetos para experimentar seus resultados. Se já havia ouvido falar, mas ainda não sabia bem do que se tra-tava, dê uma chance a SMACSS e, certamente, verá o nível de organização e produtividade de seus projetos melhorarem bastante!

Ainda é possível ir além com a eficiência de seu código e arquitetura.

Lembre-se: muito da qualidade de código vem da padronização. Não seria

muito bom caso houvesse uma maneira de se usar uma padronização já con-

sagrada na hora de criar suas classes e, de brinde, essa abordagem ainda garantir que você identifique a estrutura de sua marcação no CSS instantaneamente?

No próximo capítulo, conheça BEM.

48

Capítulo 5

BEM

Você já ouviu falar no Yandex? Se você é russo, a probabilidade é bem maior; se não é, saiba que se trata do buscador com maior market share da terra de Putin (60%). Ele também é um dos mais usados buscadores do mundo, contando com centenas de milhões de buscas por dia.

A Yandex também oferece outros serviços, contando com um ecossistema

web bastante significativo. Quando começou a crescer e sentir a necessidade de aprimorar e manter o front-end desse sistema, surgiu BEM (acrônimo para Block, Element, Modifier ou Bloco, Elemento, Modificador).

Na verdade, BEM é uma metodologia completa; um verdadeiro fra-

mework de front-end, que abarca diversas regras e ferramentas úteis. Tecnicamente, trata-se de uma arquitetura baseada em templates DSL construídos sobre Node.js (saiba mais a respeito em http://bem.info/) .

No ocidente, geralmente quando se fala sobre BEM, está se falando so-

bre a convenção de nomenclatura usada e, consequentemente, a maneira de

5.1. Pensando BEM

Casa do Código

pensar as estruturas (ou módulos, se você já conhece SMACSS, mostrado no capítulo 4).

É essa convenção de nomenclatura para Bloco, Elemento e Modificador

que você conhecerá agora.

Não faz parte das regras estabelecidas pela BEM; mas, para os exem-

plos, serão usadas palavras em inglês, o que, dependendo do alcance e

intenção de seus projetos, você também deveria fazer.

5.1

Pensando BEM

Como se sabe desde o capítulo sobre CSS orientado a objetos (3), os conceitos de Nicole Sullivan inspiraram diversos desenvolvedores, técnicas e metodologias. Coincidência ou não, a essência de OOCSS também pode ser encontrada em BEM: desacoplamento e reúso de código através de uma série de padrões preestabelecidos.

Em se tratando de BEM, seu uso vem na mudança de como se enxergam as

estruturas/módulos que se está desenvolvendo e, obviamente, conhecer suas convenções de nomenclatura.

Em termos simples, temos:

Bloco: entidade independente com seu próprio significado; é a abstra-

ção mais geral de um componente/módulo;

Elemento: descendente (e parte) de um Bloco; ajuda a formá-lo, como um todo;

Modificador: um estado ou “versão” diferente de um Bloco ou Elemento.

Segundo imagens disponibilizadas por uma das desenvolvedoras da pró-

pria Yandex, Varvara Stepanova, no memorável artigo escrito em 2012, A New Front-End Methodology: BEM (http://goo.gl/ZiBO0B) , será possível visualizar e entender melhor esses conceitos.

Veja a representação de uma página fictícia qualquer:

50

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 5. BEM

Fig. 5.1: Uma página fictícia qualquer

É possível “dividir” essa página (em um primeiro momento, mental-

mente) em diversos Blocos:

51

CSS Eficiente

CSS Eficiente

5.1. Pensando BEM

Casa do Código

Fig. 5.2: Uma página fictícia qualquer mentalmente ‘dividida’

Veja mais de perto, por exemplo, o Bloco circulado de azul, Busca:

Fig. 5.3: Bloco de busca mentalmente separado em azul

É possível encontrar os Elementos que formam esse bloco:

52

CSS Eficiente

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 5. BEM

Fig. 5.4: Elementos do Bloco de busca

Como exemplo de modificador, poderíamos ter uma apresentação dife-

renciada para quando o foco no input acontece ou quando se submetem e se buscam informações dinamicamente.

Veja o Bloco das abas com seus respectivos Elementos:

Fig. 5.5: Bloco de abas mentalmente separado em rosa

Nada impede que haja Blocos dentro de Blocos:

53

CSS Eficiente

5.2. Escrevendo BEM

Casa do Código

Fig. 5.6: Blocos dentro de Blocos

Na verdade, eles já estavam lá antes de você ver as imagens com as divisões e mesmo nos projetos em que você participou antes de ter lido qualquer coisa sobre tudo isso! Você ainda só não tinha aprendido a visualizar BEM! ;) Por isso, a partir do momento em que se decide trabalhar com ele, a pró-

pria maneira de enxergar as estruturas de uma página se altera, uma vez que se começa a visualizá-las conforme os Blocos, Elementos e Modificadores, automaticamente.

Você vai saber o que é isso depois de usar BEM em alguns projetos, tenha certeza!

5.2

Escrevendo BEM

Agora que você já consegue “visualizar BEM” pode demorar um pouco para

que isso aconteça, então, treine! , é hora de aprender a “escrever BEM”. Quer dizer, tomar conhecimento de como é a convenção da sua sintaxe.

É simples:

.block {}

54

Casa do Código

Capítulo 5. BEM

.block__element {}

.block--modifier {}

Nas convenções de sua nomenclatura, Blocos são classes com o próprio

nome da estrutura; Elementos são delimitados com __; e Modificadores de-

limitados com --.

Pegando o exemplo mostrado antes do Bloco de busca:

.search {} /* Bloco */

.search__field {} /* Elemento */

.search--searching {} /* Modificador */

Essa convenção garante que todos os desenvolvedores que conheçam

BEM identifiquem a estrutura em que o estilo atuará instantaneamente. O

oposto também vale: ao se olhar o HTML, pelo nome das classes, já se sabe o que esperar do CSS que estiliza aquele pedaço de código.

Voltando à metaexemplos, veja alguns seletores para ajudar a fixar o conceito:

.person {}

.person__hand {}

.person--female {}

.person--female__hand {}

.person__hand--left {}

O Bloco person tem vários Elementos, como hand, e pode ter Mo-

dificadores, como female. Por sua vez, os Elementos também podem ter

modificadores, tais como left.

Só de ter olhado para este metacódigo, você já foi capaz de saber que algumas das estruturas HTML correspondentes poderiam ser:

55

5.2. Escrevendo BEM

Casa do Código

<div class="person">

<div class="person__hand">

[...]

</div>

</div>

<div class="person--female">

<div class="person__hand">

[...]

</div>

</div>

<div class="person">

<div class="person__hand--left">

[...]

</div>

<div class="person__hand">

[...]

</div>

</div>

E a recíproca é verdadeira: se tivesse olhado primeiro o HTML, já poderia inferir como seria o CSS.

Outra grande vantagem é que, usando BEM, você consegue escrever se-

letores menores e não conflitantes, evitando muitos dos problemas de especificidade CSS (2.1) que poderiam acontecer, fazendo seu código seguir aquelas boas práticas mencionadas.

Em outras palavras, cada classe BEM é única e autossuficiente! Afinal, um seletor como este:

html #content > .person .hand {}

É muito mais verboso e menos eficiente (pensando em manutenibilidade

e performance) do que este:

.person__hand {}

Isso sendo que ambos serviriam para estilizar exatamente os mesmos ele-

mentos!

56

Casa do Código

Capítulo 5. BEM

Note que não é preciso que toda a estrutura do DOM esteja represen-

tada nos seletores. Mesmo que o HTML tivesse mais níveis, não seria preciso uma classe .person__body__arm__hand; uma .person__hand já con-seguiria estilizar o que fosse necessário, e tornar a classe única e a estrutura inteligível.

Idealmente, cada Bloco deve ser absolutamente independente; ou

seja, deve ser possível mudá-lo de posição na página ou de página, sem

que nenhuma alteração de CSS precise ser feita.

Lembra do objeto Media do capítulo sobre CSS orientado a objetos (3)?

Usando BEM, seus seletores CSS poderiam ser escritos mais ou menos assim:

.media {}

.media__img {}

.media__img--rev {}

.media__bd {}

Perceba que muitos também gostam de colocar níveis de indentação ex-

tras para ajudar ainda mais a identificar a estrutura de códigos. Com ou sem esse plus, são poucas as alterações que trazem muitas vantagens!

5.3

Conclusão

Como você viu, a convenção de nomenclatura de BEM tem muito de OOCSS:

garante desacoplamento e reúso intenso de código por meio de uma série

de padrões preestabelecidos; padrões, estes, facílimos de serem aprendidos e fixados.

Alguns desenvolvedores têm uma reclamação: “BEM é feio!”. Parece que

ter vários __ e -- por todo o HTML e CSS (e, inevitavelmente, JavaScript) não agrada a todos. Em minha opinião, isso não atrapalha em absolutamente nada e, de certa forma, é até divertido.

Mas se, para você, usar essa sintaxe for menos compensatório que:

57

5.3. Conclusão

Casa do Código

• Código desacoplado;

• Reúso automático de código;

• Menos repetições;

• Rápida identificação de estruturas HTML através do CSS e vice-versa;

• Independência absoluta de classes;

• Seletores menores e mais performáticos;

• CSS mais manutenível.

A decisão fica por sua conta. Esperamos que escolha BEM! ;)

Entretanto, será que, depois de conhecer os conceitos sobre OOCSS (3),

SMACSS (4) e BEM, ainda é possível aprimorar seus códigos e workflow ao

desenvolver CSS? É o que você vai descobrir no próximo capítulo, sobre pré-

processadores CSS.

58

Capítulo 6

Pré-processadores CSS

Se você estiver lendo este livro na sequência dos capítulos, neste ponto você já conhece sobre CSS orientado a objetos (3), SMACSS (4) e BEM (5). Para os acostumados a fazer só o feijão com arroz de CSS, são evoluções bastante consideráveis!

Porém, mesmo que você já tenha visto algo a respeito dessas técnicas ou

tenha pesquisado e se aprofundado mais, ainda é possível aprimorar seus có-

digos e workflow ao desenvolver CSS! Existe uma maneira de usar caracte-

rísticas com que só pessoas que conhecem linguagens de programação estão acostumadas, e aplicar conceitos e técnicas de programação a suas folhas de estilo!

Respire fundo, acomode-se e seja bem-vindo ao mundo dos pré-

processadores CSS!

6.1. O que são pré-processadores CSS?

Casa do Código

6.1

O que são pré-processadores CSS?

Consultando a Wikipédia que está longe de ser uma fonte de consulta fide-digna, mas, para este caso, serviu , é possível saber que um pré-processador é um programa que recebe texto e efetua conversões léxicas nele. As conversões podem incluir substituição de macros, inclusão condicional e inclusão de outros arquivos.

Quer dizer, você escreverá código na sintaxe do pré-processador de sua

preferência e, através de alguns processos de conversão, ele transforma (ou compila) essa sintaxe específica e própria em código CSS, a que todos já estamos habituados. Caso contrário, não se teria nenhuma estilização, já que, para este fim, os navegadores precisam de arquivos .css.

Aquela velha história de Input -> Magic -> Output. No caso espe-

cífico dos pré-processadores de CSS, o Input é o código do pré-processador que você estiver usando e, o Output, o bom e velho CSS às vezes, chamado de CSS puro.

Neste momento, se você ainda não tinha ouvido falar (ou lido) sobre pré-

processadores CSS, isso pode parecer exótico e/ou desnecessário. Afinal, para que incluir mais uma etapa no processo de escrita de CSS se já se pode escrever diretamente, como sempre se fez? É justamente ao responder essa questão que o poder dos pré-processadores se mostra!

Se não houvesse quaisquer vantagens em usá-los, certamente milhares de

desenvolvedores pelo mundo não o fariam. Eles fazem-no pelo simples mo-

tivo de que os pré-processadores CSS contam com features que extrapolam as capacidades nativas do CSS! Algumas possibilidades com pré-processadores são:

• Usar variáveis;

• Usar funções;

• Aninhamento de regras;

• Operações aritméticas;

• Estender regras a partir de regras pré-existentes.

60

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Se você já tem alguma vivência com programação, o simples vislumbre

de poder usar este tipo de coisa em CSS já deve parecer fantástico; se não, o fato de isso parecer fantástico para quem já programa deve parecer fantástico! Vamos combinar o seguinte: pré-processamento de CSS é fantástico de qualquer jeito!

Através dessas e outras facilidades que eles oferecem, muitos desenvolvedores pelo mundo inteiro muitos, mesmo! estão adotando-os para melhorar

seus fluxos de criação de estilo e organização de projetos. Continue lendo para também fazer parte dessa galera!

Os pré-processadores CSS mais conhecidos

Agora que já foi entendido que essa história toda de pré-processadores

resume-se a escrever um pseudo-CSS que, por meio de processos específicos, será transformado em CSS de fato; saiba que, dentre os pré-processadores existentes atualmente, três deles são mais usados:

• Sass (http://sass-lang.com/) ;

• Less (http://lesscss.org/) ;

• Stylus (http://learnboost.github.io/stylus/) .

Fig. 6.1: Os pré-processadores CSS mais usados (e o Stylus)

Em função do uso global, o Stylus consta como menção honrosa. Nas

rodinhas de boteco de programadores e noites do pijama para maratonas de 61

6.1. O que são pré-processadores CSS?

Casa do Código

Senhor dos Anéis, quando o assunto for pré-processadores, certamente se falará sobre Sass e Less.

Este capítulo reserva-se a explicar e demonstrar as principais caracte-

rísticas de pré-processadores CSS. Para instruções sobre como instalá-los em seu sistema, configurá-los e as maneiras possíveis de se compilar có-

digo, consulte os respectivos sites oficiais.

Basicamente, Sass e Less fornecem quase o mesmo acervo de funcionali-

dades. Há várias controvérsias e discussões acalouradas entre os adeptos de um e outro, mas a verdade é que, nessa quase conversão de características, ao optar por usar Sass ou Less, você estará bem servido e conseguirá melhorar muito a organização e workflow de desenvolvimento de estilos!

Pequena observação sobre a sintaxe Sass

Tenho uma preferência pessoal por Sass; todos os exemplos de códigos e features que serão mostrados a seguir serão feitos com código dessa sintaxe.

Como acabou de ser explicado, Less também provê as maneiras de se fazer

igual, de modo que não haverá prejuízo no entendimento.

A pequena observação é que Sass oferece 2 sintaxes diferentes para se trabalhar:

• SCSS;

• Sass.

SCSS (Sassy CSS) que tem extensão de arquivos .scss pode ser con-

siderada como uma extensão de CSS, valendo-se da mesma sintaxe-base e,

praticamente, a mesma forma de escrever regras. Basicamente, se você abrir um arquivo .scss e escrever CSS puro ali, será um arquivo Sass válido.

A sintaxe Sass o mesmo nome do pré-processador , cuja extensão dos

arquivos é .sass, já é bem diferente do CSS com que a maioria dos webdevs está acostumada, primando pela concisão e rapidez na escrita. Demora-se

um pouco mais para aprender a escrevê-la, mas alguns garantem que, uma

vez que se domina, é difícil voltar atrás.

62

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Este capítulo propõe-se a apresentar a linguagem. Portanto, a sintaxe

SCSS será usada por ser mais parecida com CSS puro, facilitando a assimi-lação e fixação dos conceitos.

6.2

Aninhamento de regras

Logo no primeiro dia de estudos de HTML, é fácil constatar que se trata de uma linguagem que usa elementos aninhados para funcionar: o aninhamento

confere estrutura e organização hierárquica ao documento. CSS, por sua vez, não possui tal característica.

O poder de Sass começa a se mostrar já aqui: é possível aninhar regras CSS para escrever um código mais conciso e menor, conferindo hierarquia

visual às regras e facilitando da leitura!

Por exemplo, veja este trecho de CSS:

nav ul {

list-style: none;

margin: 0;

padding: 0;

}

nav li {

display: inline-block;

}

nav a {

display: block;

padding: 6px 12px;

text-decoration: none;

}

Em SCSS, é possível escrever assim:

nav {

ul {

margin: 0;

padding: 0;

list-style: none;

63

6.2. Aninhamento de regras

Casa do Código

}

li {

display: inline-block;

}

a {

display: block;

padding: 6px 12px;

text-decoration: none;

}

}

Não é incrível? Agora você pode aninhar regras de estilos e, ao compi-

lar o código, será gerado o mesmo CSS mostrado anteriormente. A questão

é que você poupou escrita e a declaração está visualmente mais inteligível, evidenciando, em um só golpe de vista, a hierarquia intrínseca das regras.

Referência ao ascendente

Em algumas situações, é preciso fazer referência ao ascendente para se

montar uma regra apropriadamente. Por exemplo, dentro do aninhamento

permitido por Sass, como seria para colocar uma regra com :hover?

Se tentar algo como:

.selector {

:hover {

}

}

O CSS compilado será .selector :hover {} (note o espaço), o que

não é o necessário.

Para esses casos, Sass provê uma característica muito interessante, tor-

nando possível fazer referência ao elemento ascendente imediatamente superior: o caractere &.

Neste exemplo do hover, o código correto seria:

.selector {

&:hover {

64

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

}

}

Isso geraria o CSS: .selector:hover {}, exatamente o que está se

buscando.

Sempre que, em Sass, você deparar-se com &, já sabe que a intenção é repetir o seletor ascendente imediato na regra, independente de que parte dela esteja. Veja:

.selector {

.parent-selector--modified & {

}

}

Isso vai compilar para:

.parent-selector--modified .selector {}

O seguinte código:

#custom-checkbox {

& + label {

}

&:checked + label {

}

}

compilará o CSS:

#custom-checkbox {

}

#custom-checkbox + label {

}

#custom-checkbox:checked + label {

}

65

6.2. Aninhamento de regras

Casa do Código

Sass e BEM

O padrão de nomenclatura BEM traz diversas vantagens no desenvolvi-

mento de front-end, como explicado no capítulo 5. Porém, conforme foi mostrado até agora sobre o caractere de referência ao ascendente imediato, um trecho Sass do tipo:

.selector {

&--modifier {

}

}

Compilaria para:

.selector .selector--modifer {}

o que, definitivamente, não é o esperado.

Felizmente, desde a versão Sass 3.4, os adeptos ao BEM contam com uma

grata característica: uma compilação especial quando se usa o padrão de nomenclatura!

Sass identifica automaticamente os padrões de escrita BEM e gera CSS

da maneira que se espera! Caso em que se pode escrever tranquilamente o

seguinte:

.selector {

&--modifier {

}

&__subelement {

&--submodifier {

}

}

}

E obter o compilado:

.selector--modifier {

}

66

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

.selector__subelement {

}

.selector__subelement--submodifier {

}

Também é possível escrever tantas referências mais aos respectivos

elementos ascendentes imediatos quanto sejam precisas, já que, a partir

dessa versão, o Sass compreende a sintaxe BEM e gera CSS corretamente,

respeitando-o e garantindo regras com boa performance de seletores-chaves (2.2)!

6.3

Variáveis

Se o poder dos pré-processadores de CSS limitasse-se somente a permitir o uso de variáveis, ainda assim seriam tão famosos e usados como são atualmente! Poder usar variáveis é, simplesmente, um incrível avanço na organi-zação e manutenibilidade de um conjunto de folhas de estilo!

Variáveis em Sass são como variáveis em qualquer linguagem de progra-

mação: referências nominais capazes de armazenar valores que podem ser

chamadas em trechos de código subsequentes para resgatar e usá-los con-

forme necessário. Para declarar uma variável, basta dar um nome qualquer (sem espaços e/ou caracteres especiais) precedido de $, usar : e dar o valor que se queira, como em:

$mainColor: #c0ffee;

Isso feito, basta usar a variável à vontade! Por exemplo:

$mainColor: #c0ffee;

header {

background-color: $mainColor;

}

a {

67

6.3. Variáveis

Casa do Código

color: $mainColor;

}

footer .highlight {

border: 2px solid $mainColor;

}

que compilaria:

header {

background-color: #c0ffee;

}

a {

color: #c0ffee;

}

footer .highlight {

border: 2px solid #c0ffee;

}

A imensa vantagem é poder substituir absolutamente todas as referências

àquela cor, alterando somente uma linha de código. Mesmo nesse exemplo

com somente 3 regras, já seria muito bom. Imagine em projetos do mundo

real, em que não é raro precisar de alterações dessa natureza em dezenas de regras!

Variáveis podem conter quaisquer valores usados em CSS, como em:

$font-stack: Helvetica, sans-serif;

$width: 5em;

Quando não são declaradas fora de regras como em todos os exemplos

mostrados até agora , a variável fica disponível em todo o código. Mas também é possível limitar seu escopo de atuação ao declará-la dentro de uma regra:

.l-main {

$width: 5em;

width: $width;

}

68

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Se tentássemos usar

$width em qualquer outro lugar fora de

.l-sidebar, isso resultaria em erro.

A não ser que seja usado o modificador !global, que faz com que ela esteja disponível também em qualquer ponto do código. Nesse caso, seria

possível algo como:

.l-main {

$width: 5em !global;

width: $width;

}

.l-sidebar {

width: $width;

}

que seria compilado para:

.l-main {

width: 5em;

}

.l-sidebar {

width: 5em;

}

Interpolação de variáveis

Sass permite que seja possível interpolar variáveis. Em termos simples,

seria como juntar o valor de variáveis com outras variáveis ou valores.

Para se fazer isso, referencia-se a variável usando #{VARIAVEL} e, auto-

maticamente, a interpolação acontece. Para ficar mais claro, veja o exemplo: $vert: top;

$horz: left;

$radius: 5px;

.rounded-#{$vert}-#{$horz} {

border-#{$vert}-#{$horz}-radius: $radius;

}

69

6.4. Mixins

Casa do Código

que gera o CSS:

.rounded-top-left {

border-top-left-radius: 5px;

}

6.4

Mixins

Mixins permitem que se façam agrupamentos de declarações CSS para serem reusados onde se queira. Certamente, são uma das features mais poderosas de Sass! Se você já brincou com programação, mixins lembram bastante funções.

Para se trabalhar com eles, o par @mixin/ @include sempre estará pre-

sente. O primeiro para definir o mixin, em si; o segundo, para indicar em qual ponto do código se quer usá-lo.

Veja este trecho de código Sass com um mixin para arredondamento de

bordas sendo definido e usado:

@mixin border-radius($radius) {

-webkit-border-radius: $radius;

-moz-border-radius: $radius;

-ms-border-radius: $radius;

border-radius: $radius;

}

.box {

@include border-radius(10px);

}

Isso gerará o seguinte CSS:

.box {

-webkit-border-radius: 10px;

-moz-border-radius: 10px;

-ms-border-radius: 10px;

border-radius: 10px;

}

Com 6 linhas de código, você agora pode arredondar bordas em qualquer

regra que quiser, apenas usando um @include! Como plus, ainda consegue

especificar qual será o raio na própria chamada ao mixin!

70

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Essa possibilidade de passar o valor que se quer para atuar em mixins

(argumentos) certamente faz deles mais poderosos. É possível passar quantos quiser, que nem as funções em linguagens de programação. Caso se passe um argumento já especificando um valor, este será o valor padrão usado desde que ele seja omitido ao se usar o @include. Veja:

@mixin rounded($vert, $horz, $radius: 10px) {

-webkit-border-#{$vert}-#{$horz}-radius: $radius;

-moz-border-radius-#{$vert}#{$horz}: $radius;

border-#{$vert}-#{$horz}-radius: $radius;

}

.l-footer {

@include rounded(top, left, 5px);

}

.l-sidebar {

@include rounded(top, left, 8px);

}

.navbar li {

@include rounded(top, left);

}

Isso compila para:

.l-footer {

-webkit-border-top-left-radius: 5px;

-moz-border-radius-topleft: 5px;

border-top-left-radius: 5px;

}

.l-sidebar {

-webkit-border-top-left-radius: 8px;

-moz-border-radius-topleft: 8px;

border-top-left-radius: 8px;

}

.navbar li {

71

6.5. Extensão/Herança

Casa do Código

-webkit-border-top-left-radius: 10px;

-moz-border-radius-topleft: 10px;

border-top-left-radius: 10px;

}

Eu quase consigo ouvir o som de suas lágrimas chocando-se com o solo!

6.5

Extensão/Herança

Indubitavelmente, Extensão/ Herança é uma das principais características de pré-processadores CSS!

No caso específico de Sass, é possível usar @extend para compartilhar

uma série de propriedades/valores de várias regras diferentes em uma mesma regra! Isso mantém o código dentro do princípio da não repetição (DRY), faz com que seja preciso escrever bem menos código e, de quebra, ainda garante que o CSS compilado seja mais lógico e eficiente!

Como exemplo, suponha que você tenha esta regra:

.default-box {

background-color: #efefef;

border: 1px solid #000;

color: #333;

}

Caso seja preciso criar variações disso com Sass, uma das maneiras pos-

síveis seria estendê-la em outra regra! Assim:

.alert-box {

@extend .default-box;

font-size: 2em;

}

o que compilaria para:

.default-box, .alert-box {

background-color: #efefef;

border: 1px solid #000;

color: #333;

72

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

}

.alert-box {

font-size: 2em;

}

Percebe o poder que isso oferece? Você pode ter um arquivo com defi-

nições genéricas de regras que podem ser estendidas em quaisquer outras do projeto! Por exemplo, regras do tipo:

[...]

.bold {

font-weight: bold;

}

.italic {

font-style: italic;

}

.display-block {

display: block;

}

.display-none {

display: none;

}

.underline {

text-decoration: underline;

}

.no-underline {

text-decoration: none;

}

.text-left {

text-align: left;

}

73

6.5. Extensão/Herança

Casa do Código

.text-center {

text-align: center;

}

.text-right {

text-align: right;

}

.text-justify {

text-align: justify;

}

[...]

Se quiséssemos uma regra para um módulo que precise ter apresentação

em bloco, negrito e texto justificado, só seria necessário estender regras já especificadas anteriormente!

.my-module {

@extend .display-block, .bold, .text-justify;

border: 1px solid #ccc;

}

que compilaria para:

[ ... ]

.bold, .my-module {

font-weight: bold;

}

.display-block, .my-module {

display: block;

}

.text-justify, .my-module {

text-align: justify;

}

74

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

[ ... ]

.my-module {

border: 1px solid #ccc;

}

É ou não é uma economia tremenda de digitação com um compilado con-

dizente ao melhor que CSS tem a oferecer?

Seletores placeholder

No exemplo anterior, foi possível observar que todas as regras especifi-

cadas no Sass estão presentes no CSS gerado. É até conveniente que clas-

ses, como .bold, .display-block etc. sejam geradas, já que podem ser

úteis ao se trabalhar com JavaScript, adicionando e excluindo classes conforme eventos e ações.

Entretanto, pode haver situações em que determinadas regras que serão

estendidas só precisem existir para isso e não precisem estar presentes no CSS

compilado. Para isso, saiba que existem o seletores placeholder (placeholder selectors).

Criar um placeholder selector é como uma regra comum, com a diferença

de que não se coloca um elemento, classe ou ID, mas sim um %. Por exemplo, se fosse preciso usar um seletor placeholder para estender nos estilos mostrados antes, ficaria:

[ ... ]

%bold {

font-weight: bold;

}

%italic {

font-style: italic;

}

%display-block {

display: block;

}

75

6.5. Extensão/Herança

Casa do Código

%display-none {

display: none;

}

%underline {

text-decoration: underline;

}

%no-underline {

text-decoration: none;

}

%text-left {

text-align: left;

}

%text-center {

text-align: center;

}

%text-right {

text-align: right;

}

%text-justify {

text-align: justify;

}

[ ... ]

Para indicar a extensão:

.my-module {

@extend %display-block, %bold, %text-justify;

border: 1px solid #ccc;

}

A grande diferença está no CSS compilado, que seria somente:

76

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

.my-module {

font-weight: bold;

}

.my-module {

display: block;

}

.my-module {

text-align: justify;

}

.my-module {

border: 1px solid #ccc;

}

Observando o compilado, parece que foi um desperdício definir várias

regras com o mesmo seletor com somente uma propriedade definida. En-

tretanto, lembre-se de que os placeholder selectors podem ser estendidos em qualquer lugar, consequentemente alterando a compilação de folhas de estilo conforme seu uso.

Outra ocasião bastante útil para eles é quando se tem que usar fontes personalizadas em projetos. Dá pra fazer algo como:

@font-face {

font-family: 'custom_font';

src: url('font/my-custom-font.eot');

src: url('font/my-custom-font.eot?#iefix')

format('embedded-opentype'),

url('font/my-custom-font.woff2') format('woff2'),

url('font/my-custom-font.woff') format('woff'),

url('font/my-custom-font.ttf') format('truetype');

font-weight: normal;

font-style: normal;

}

%custom-font {

font-family: 'custom_font';

}

77

CSS Eficiente

6.6. Importação

Casa do Código

Sempre que precisar que algum elemento, classe ou ID seja agraciado com

a fonte diferenciada, estenda o seletor placeholder.

Em suma, placeholder selectors não aparecem no CSS compilado, servindo exclusivamente para propósitos de Extensão/ Herança.

6.6

Importação

Levando em conta o que se aprendeu no capítulo (4) sobre SMACSS e as vantagens do Sass ao permitir Extensão/ Herança, não surpreenderia se você já tivesse chegado à conclusão de que, em projetos mais profissionais, é preciso que se tenha diversos arquivos diferentes, cada um com seu propósito e con-tendo suas respectivas regras de estilo.

Para essas ocasiões, o Sass oferece um recurso de importação, usando

@import.

No exemplo de placeholder selectors mostrado agora há pouco, certa-

mente haveria um arquivo Sass com todos eles e, conforme a necessidade e a organização do projeto por exemplo, o uso da metodologia SMACSS , a cria-

ção de mais arquivos para conterem as regras devidas. Em uma demonstração simples, 2 arquivos:

Fig. 6.2: Demonstração simples com 2 arquivos

Logo no início do arquivo style.scss, bastaria colocar:

@import 'generics';

Tudo o que está dentro de _generics.scss poderia ser acessado. Não

é preciso colocar o _ nem .scss na sintaxe de importação. Também é pos-

sível e, quase sempre, necessário importar vários arquivos, separando-os por vírgula na declaração do @import.

78

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Neste ponto, cabem duas observações importantes.

A primeira é que se deve ter atenção ao nome do arquivo que foi impor-

tado, que começa com um subtraço (underline). Dentro da dinâmica do Sass, isso é chamado de partial e significa que, na compilação, somente será gerado um arquivo CSS de style.scss. Em outras palavras, na compilação,

partials não geram sua contraparte .css.

A segunda é que é importante não confundir esse @import com a impor-

tação de arquivos que já existe em CSS puro. Esta faz uma requisição extra no servidor, chamando um arquivo à parte; aquela junta todos os arquivos importados no importador, garantindo a geração de um arquivo único com

todas as regras.

Por padrão, Sass não permite importar arquivos .css diretamente.

Para finalizar, é possível a importação de arquivos em subdiretórios. Em um projeto com estrutura Sass, por exemplo, poderia haver um arquivo único que importasse todos os partials necessários:

Fig. 6.3: Exemplo de estrutura com arquivos .scss

No início do arquivo style.scss, colocaríamos:

79

6.7. Mais superpoderes de Sass

Casa do Código

@import

'base/base',

'base/fonts',

'base/forms',

'base/generics',

'layout/content',

'layout/footer',

'layout/header',

'layout/menu',

'module/button',

'module/pagination',

'module/search'

;

Cada arquivo importado poderia também ter declarações de @import, o

que causaria um efeito bola de neve de importação e, como o esperado, ainda continuaria compilando somente o arquivo style.css.

6.7

Mais superpoderes de Sass

Sass é uma linguagem poderosíssima, que facilmente encheria um livro in-

teiro, além do que já foi apresentado:

• Operadores aritméticos ( +, -, *, /);

• Estruturas de controle ( if, while, for, each);

• Diferentes resultados de compilação (nested, expanded, compact, com-

pressed);

• Funções personalizadas.

Tudo isso você encontra no site oficial do Sass (http://sass-lang.com/) .

Para já ir brincando um pouquinho sem ter que instalar a ferramentaria necessária para se trabalhar, acesse o SassMeister (http://goo.gl/aQYSpg) . Depois disso, para continuar os estudos, há artigos de grande utilidade no The Sass Way (http://goo.gl/GEjBGe) .

80

Casa do Código

Capítulo 6. Pré-processadores CSS

Para aprimorar ainda mais a Arquitetura CSS de seus projetos, de uma

maneira que permita uma melhor identificação da sua estrutura e manuten-

ção, no próximo capítulo, veja sobre CSS Namespaces.

81

Capítulo 7

CSS namespaces

Como visto, SMACSS (4) e BEM (5) podem fazer maravilhas pela arquitetura e organização de seus projetos. Porém, é possível ir mais além! Espero que não fique surpreso!

Em diversas linguagens de programação bastante usadas no mundo in-

teiro, existe o conceito de namespaces. Algumas o suportam nativa e explici-tamente, como, por exemplo, a maioria das linguagens de backend modernas; mas, outras, como JavaScript, não o aceitam. Entretanto, é possível fazer algumas marotices no código (leia-se: gambiarras) para que namespacing possa ser aplicado e conseguir seus benefícios intrínsecos obtidos.

Porém, o que são namespaces e qual é a sua finalidade?

Tentando explicar de maneira simples e sucinta, namespaces são como

regiões no código, nas quais nomes de variáveis, de funções etc. são válidos dentro destas linguagens de programação. Apesar de não ter certeza quanto à

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

acuidade da tradução, em terras tupiniquins, alguns costumam usar o termo espaços de nomes.

Na prática, isso quer dizer que, dentro de determinado “espaço de nome”, é possível atribuir nomes a instâncias e entidades sem que ocorra algum conflito caso termos idênticos sejam escolhidos em outros espaços de nomes.

Ou seja, torna-se possível usar termos idênticos dentro de namespaces

diferentes sem que haja confusão. Adicionalmente, essa sua diferenciação traz a vantagem extra de ser possível identificar imediatamente a qual espaço de nome tal entidade pertence com um só golpe de vista.

Evidentemente, no momento, um CSS que não seja uma linguagem de

programação não pode valer-se dos benefícios completos de namespacing.

Mas, tal como acontece com OOCSS (3), por meio de algumas convenções

bastante interessantes, é possível trazer parte dos seus benefícios para a linguagem e tentar encontrar alguma vantagem nisso.

É mais simples do que você poderia imaginar.

Este capítulo não é sobre o Namespace Module da W3C (http://goo.

gl/EoQjvt) ; mas sobre convenções de nomes de classes para ajudar na

leitura e compreensão de códigos.

7.1

Os CSS namespaces mais comuns

Como você deve saber, por não se tratar de uma linguagem de programação, aplicar namespacing em CSS é possível através de convenções de nomes assim como muito de bom que acontece em CSS. Na prática, trata-se apenas

de colocar um prefixo nos nomes dos seletores para conseguir atribuir um namespace e começar a se valer dos benefícios de imediata identificação e melhor compreensão do código.

Os namespaces de CSS mais comuns mostrados por Harry Roberts em

um conhecido artigo a respeito (http://goo.gl/917hCW) são:

o-: objeto;

c-: componente;

84

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

u-: utilitário;

t-: tema;

s-: escopo (scope);

is-/has-: estado/ condição;

_ : hack (!);

js-: JavaScript;

qa-: quality assurance (QA).

Só de observar essa lista, já é possível perceber o quão mais comunicativo seu código pode ser ao, simplesmente, prefixar os nomes de suas classes! Veja mais detalhes sobre cada um dos namespaces a seguir.

Além disso, há uma vantagem extra: usar namespaces em CSS combina

perfeitamente com BEM (5)! Quer dizer, você pode continuar escrevendo

código CSS com Bloco, Elemento e Modificador, aprimorando a arquitetura, legibilidade e entendimento do código, somente ao usar essa convenção de prefixos!

Objeto: o-

Formato:

.o-object-name[<element>|<modifier>] {}

Exemplo:

.o-layout {}

.o-layout__item {}

.o-layout--fixed {}

O namespace Objeto é especialmente útil para pessoas que se valem do OOCSS, que, a esta altura, você já deve conhecer depois de ter lido o capítulo 3.

85

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

Dado um projeto fictício que segue algumas das boas práticas para CSS

eficiente já mostradas, imagine que seja preciso que se altere o padding das recomendações dadas por pessoas, por exemplo. Encontra-se o seguinte trecho de código:

<blockquote class="media testimonial">

</blockquote>

Em relação ao CSS correspondente, foi decidido colocar o padding em

.testimonial para resolver a questão. Daria certo, mas, fazendo alguns

testes, opta-se por fazer a adição da propriedade em .media, já que isso traz o resultado esperado.

A grande questão nesse exemplo é que .media é somente uma abstração

de OOCSS. Ele tem de manter suas características de ser reusável e de não receber “cosméticos” que poderiam alterar seu visual dependendo de onde seja colocado. Mesmo que o código mostrado já tenha a aplicação de algumas

técnicas de CSS eficiente, é possível melhorá-lo e torná-lo mais claro e comunicativo.

Bastaria fazer:

<blockquote class="o-media testimonial">

</blockquote>

Somente com a adição do prefixo do namespace Objeto, agora o código

comunica a qualquer outro desenvolvedor sobre sua natureza de objeto/ abstração e também que ele não deve ser estilizado. Isso evitaria alterações ne-fastas nele. Logo, vemos que:

• Objetos são abstratos;

• Objetos podem ser usados em qualquer número ao longo do projeto;

• Tenha cuidado e atenção redobrada quando se deparar com elementos

o-.

86

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

Componente: c-

Formato:

.c-component-name[<element>|<modifier>] {}

Exemplo:

.c-modal {}

.c-modal__title {}

.c-modal--gallery {}

O namespace Componente identifica a maior parte dos elementos de UI que qualquer um pode olhar e identificar imediatamente, por exemplo: “Isso é um botão”, “Isso é um modal” etc.). Ao contrário de Objetos, alterações de estilo em Componentes não afetam nada além do componente em si, como

vemos nesse último exemplo, nada além do modal. Enquanto objetos são

abstrações, componentes são implementações específicas.

Para aprimorar o exemplo dado anteriormente, bastaria:

<blockquote class="o-media c-testimonial">

</blockquote>

Se quando a solicitação de aumento de padding tivesse sido feita com

essa marcação presente, imediatamente já se teria percebido que ela precisaria ser feita a .testimonial, dada sua prefixação de componente. Teríamos a

garantia de que toda e qualquer modificação realizada afetaria somente componentes .testimonial e nada mais! Assim:

• Componentes são implementações específicas de UI;

• Podemos modificá-los de maneira segura;

• Qualquer coisa com prefixo c- é algo específico.

87

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

Utilitário: u-

Formato:

.u-utility-name {}

Exemplo:

.u-clearfix {}

O namespace Utilitário é usado para regras que têm responsabilidade única, servindo a propósitos muito específicos e diretos e fazendo uma, e somente uma, coisa. Por exemplo, .u-text-center para alinhar ao centro

um texto. Não é incomum que tenham !important para garantir que ga-

nharão na batalha da especificidade CSS (2.1).

Devido à sua natureza de estilização focada, excepcional, única, direta e que também permite sua utilização globalmente no projeto, é muito importante usar esse prefixo quando este vale-se de namespaces CSS.

Por exemplo, veja este trecho de código:

.footer .text-center {

font-size: 75%;

}

O problema é que .text-center agora tem duas responsabilidades

quando aparece em qualquer lugar dentro de .footer. Isso causa efeitos

colaterais, algo que um utilitário jamais jamais! pode ter.

Isso nos traz a uma conclusão óbvia a respeito do uso do namespace Uti-

litário: se começa com u-, jamais reatribua! Utilitários devem ser definidos uma vez para nunca mais precisarem ser alterados.

Veja este exemplo de HTML:

<div class="font-size-large">

<blockquote class="pullquote">

</blockquote>

</div>

Somente olhando para o código, pode ser confuso para um desenvolvedor

perceber o porquê de o tamanho da fonte do blockquote ser diferente do

88

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

que estava sendo esperado. O motivo é que ele está herdando esse tamanho de .font-size-large.

Veja como é possível clarear o código e garantir que este tipo de dúvida não ocorra, somente usando prefixos de namespaces de CSS:

<div class="u-font-size-large">

<blockquote class="c-pullquote">

</blockquote>

</div>

Logo, vimos que:

• Utilitários são estilos da pesada!

• Alerte a outros desenvolvedores sobre eles, colocando o prefixo u-.

• Nunca os reatribua a qualquer elemento que tenha um prefixo u-.

Tema: t-

Formato:

.t-theme-name {}

Exemplo:

.t-light {}

O namespace Tema, como sugere o próprio nome, é para auxiliar na marcação HTML e na criação de seletores CSS em projetos que suportam temas.

A maioria dos projetos que suportam temas trabalham com o conceito

de Stateful Themes (http://goo.gl/Vrpyt0) . Quer dizer, temas que podem ser habilitados e desabilitados; por exemplo, pense em sites que em cada página ou seção tem uma paleta de cores ou um seletor de temas num painel de controles. Geralmente, isso é feito colocando-se alguma classe que indica que o tema está no elemento body.

Valendo-nos do que foi visto sobre pré-processadores CSS (9), é possível pensar em códigos como:

89

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

.c-btn {

background-color: #333;

color: #e4e4e4;

display: inline-block;

padding: 1em;

.t-light & {

background-color: #e4e4e4;

color: #333;

}

}

Ou seja, o elemento .c-btn possui determinado estilo por padrão, mas,

quando o tema light está ativo a classe .t-light é colocada no elemento

body , as cores de background e foreground invertem-se. Como mostrado, a vida ainda fica muito mais fácil ao utilizar pré-processadores. Caso se precise editar o aspecto de algum elemento em um tema específico, já se sabe onde encontrar sua definição, uma vez que ficam todas vinculadas ao elemento pa-drão (no mesmo arquivo). Assim:

• Namespaces de tema são de alto nível;

• Eles proveem contexto/ escopo para diversas outras regras;

• São úteis para sinalizar a condição atual da UI.

Escopo: s-

Formato:

.s-scope-name {}

Exemplo:

.s-cms-content {}

O namespace Escopo (scope) deve ser usado somente em alguns casos bastante específicos. Preste muita atenção para não usá-lo de maneira ina-propriada.

90

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

Na maioria das vezes, escopo pode ser utilizado para especificar um con-

texto para alguma seção particular da UI. Um exemplo seria o código HTML

gerado por um CMS que, sabemos, nem sempre é da melhor qualidade. Você

pode utilizar um namespace de escopo como um contêiner e, com a porção

de elementos contextualizada, estilizar a partir daí.

Uma porção de código de exemplo:

<nav class="c-nav-primary">

...

</nav>

<section class="s-cms-content">

<h1>...</h1>

<p>...</p>

<p>...</p>

<ul>

...

</ul>

<p>...</p>

</section>

<ul class="c-share-links">

...

</ul>

<a href="#" class="c-btn c-btn--primary">

Próximo artigo

</a>

Veja que .s-cms-content serve como um contêiner para o conteúdo

automático gerado e, com isso, abre-se a possibilidade de uma estilização fina para adequá-lo às diretrizes de UI do projeto.

Um exemplo (com Sass):

.s-cms-content {

91

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

font: 16px/1.5 serif;

h1, h2, h3, h4, h5, h6 {

font: bold 100%/1.5 sans-serif;

}

a {

text-decoration: underline;

}

}

Como você já deve saber a esta altura, estilizar elementos diretamente

não é lá considerado uma boa prática para se ter CSS eficiente. Porém, em casos como esse, não deixa de ser uma solução aceitável para conseguir-se uma estilização apropriada.

Em virtude disso e dos problemas de CSS que podem aparecer por con-

sequência, é importante lembrar que o namespace Escopo deve ser usado com cautela e somente quando realmente necessário. Portanto:

• Escopos devem ser raramente usados, logo, tenha certeza absoluta de

que precisa deles;

• Eles dependem inteiramente de aninhamento; esteja ciente disso.

Estado/Condição: is-/has-

Formato:

.[is|has]-state {}

Exemplos:

.is-open {}

.has-dropdown {}

O namespace Estado/ Condição advém do SMACSS (4) e, como expli-

cado, serve para indicar estados temporários da UI que precisam ser estilizados de acordo com essa condição.

92

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

Não raramente, ao usar um inspetor de código (por exemplo, Chrome

DevTools) para saber mais sobre algum elemento interativo de UI, como um modal, é comum vermos classes/ elementos aparecendo e desaparecendo, “ligando” e “desligando”. Ao inspecionar-se um código, é bastante esclarecedor ver uma classe como is-open aparecer e desaparecer, pois informa de maneira muito clara o que está acontecendo naquele trecho específico da interface.

<div class="c-modal is-open">

...

</div>

Também não somente quando se olha para o HTML. Ao olhar para um

arquivo de estilos com esse namespace, tudo fica muito mais claro.

.c-modal {

&.is-open { ... }

&__content {

&.is-loading { ... }

}

}

Algo importante a saber é que um estado/ condição diferencia-se de um

Modificador de BEM (5) devido à característica de ser temporário. Ou seja, um estado/ condição pode mudar de um momento para o outro, devido a alguma ação tomada pelo visitante (por exemplo, .is-expanded) ou alguma

interação com o servidor, como .is-updating. Logo, vimos que:

• Estado/ condição é temporário;

• Certifique-se de que sejam facilmente percebidos e entendidos no

HTML;

• Nunca escreva uma classe de estado/ condição “pura”. Ele é sempre

atrelado a outra.

93

7.1. Os CSS namespaces mais comuns

Casa do Código

Hack: _

._<namespace>hack-name {}

Exemplo:

._c-footer-mobile {}

O namespace Hack, devido a seu próprio nome e objetivo que decorre daí, deve ser usado somente em casos raros. Ter essa marcação no código

ajuda todos a identificar que se trata de um hack que (teoricamente) deve ser resolvido de maneiras convencionais, assim que possível.

Exemplo:

@media screen and (max-width: 30em) {

// É preciso forçar o footer a ter uma largura fixa

// em viewports menores

._c-footer-mobile {

height: 80px;

}

}

Resumindo:

• Hacks são feios;

• Hacks devem ser temporários, portanto não faça reúso ou vincule-os a

suas classes;

• Fique atento ao número de hacks no código.

JavaScript: js-

Formato:

.js-component-name {}

Exemplo:

.js-modal {}

94

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

O namespace JavaScript, como você deve imaginar, indica que há algum tipo de interação com JavaScript associada ao elemento em que se encontra.

Em teoria, não se deve ter estilo e comportamento associados ao mesmo hook no código, logo, geralmente esse namespace é usado para fazer a separação de preocupações (Separation of Concerns).

Usá-lo também traz uma tranquilidade extra ao projeto, já que desen-

volvedores podem mexer no CSS à vontade sem se preocupar com alguma

possível quebra em JS e vice-versa.

Portanto, na prática, classes como .js-modal pouco têm a ver com CSS

e estilização, servindo mais como hooks JavaScript, propriamente ditos. Dependendo do guia de estilos adotado e convenções da equipe, nada impede

que sejam .jsModal. Assim:

• JavaScript e CSS têm preocupações diferentes (Separation of Concerns), então use hooks diferentes;

• Tendo hooks diferentes para CSS e JS, a codificação em cada um deles

torna-se mais segura.

Quality Assurance (QA): qa-

Formato:

.qa-node-name {}

Exemplo:

.qa-error-login {}

O namespace Quality Assurance (QA), apesar de não ser o mais usado da lista, pode ser extremamente útil e valioso quando se está trabalhando com testes de UI e com ferramentas de automatização como Selenium (http:

//goo.gl/N7523e) . Ou até mesmo com um navegador headless, em que é ex-

tremamente comum scripts do tipo:

1) Visite site.dev/login;

2) Insira um nome de usuário incorreto;

95

7.2. Conclusão

Casa do Código

3) Insira uma senha incorreta;

4) Espere (Expect) por um erro no DOM.

Até aqui, nenhuma novidade. Mas, pense bem: se os testes são feitos

usando como hooks nomes de classes CSS e é isso mesmo o que geralmente

acontece , uma simples troca de nomes pode fazer com que eles comecem a

falhar!

Fazendo um paralelo com o namespace js-, aqui também seria conve-

niente que acontece-se uma separação de preocupações. Isso permitiria que diferentes pessoas ou equipes pudessem atuar de maneira independente, fazendo o que quer que fosse preciso.

Para melhorar a situação, uma medida interessantíssima a ser tomada é

começar a usar o namespace QA e, para os que fazem os testes, a utilizar essas classes como hooks; em vez das normais presentes no código, ficando com

classes como neste exemplo:

<strong class="c-message c-message--error qa-error-login"> Resumindo:

• Usar hooks de estilo para testes é um tanto obscuro, então, não faça

isso;

• Use-os como hooks classes específicas para testes;

• Garanta que qualquer refatoração de UI não afete os hooks de QA.

7.2

Conclusão

Como muitas das boas práticas de CSS, CSS Namespaces nada mais são do que convenções de codificação que, se bem usadas, trazem numerosas vantagens aos projetos que se valem delas, almejando um CSS eficiente. Tecnicamente, são apenas pseudonamespaces, mas, de qualquer forma, dentro das atuais limitações de CSS, ajudam bastante.

Existem até vantagens não explícitas, como o fato de conseguir-se mais

produtividade com editores/ IDEs com autocomplete.

96

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 7. CSS namespaces

Fig. 7.1: Por essa você não esperava!

Se, por qualquer motivo, seja preciso destacar visualmente um ou mais

namespaces, isso torna-se possível com uma simples regras, como:

[class^="c-"],

[class*=" c-"] {

outline: 5px solid red;

}

A lista de namespaces apresentados não é fixa e nem imutável, só reflete o que é mais comumente usado por aí, enquanto você está lendo estas palavras.

Apesar de não ser única, como se pode ver em FUN (http://goo.gl/G0cWkX) e outras propostas existentes.

Devido à facilidade de aprendizado e de uso de CSS Namespaces, soma-

dos aos imensos benefícios e ganhos que são trazidos aos projetos, realmente não há motivos para que os namespaces também não façam parte do seu rol

de convenções CSS, apesar de ser possível usar somente outras das técnicas de CSS eficiente mostradas no livro.

Automatizar tarefas é sempre algo bom a se fazer e certamente usar Task Runners em seus projetos é um passo inteligente a ser dado, o que veremos a seguir.

97

Capítulo 8

Task Runners

Se você estiver lendo este livro sequencialmente, você já viu CSS orientado a objetos (3), SMACSS (4), BEM (5), pré-processadores CSS () e CSS namespaces (7). Um belo caminho rumo à escrita de CSS mais eficiente!

Algo que pode passar essa eficiência a um outro nível é a automatização.

É bastante comum os desenvolvedores terem de fazer tarefas repetitivas, seja ao iniciar projetos ou durante todo seu ciclo de desenvolvimento. Muitas delas são recorrentes, tendo de ser executadas a todo momento, por exemplo, compilar Sass para CSS.

Felizmente, é possível dar um passo além na eficiência e produtividade

front-end por meio dos automatizadores de tarefas, mais conhecidos como

Task Runners.

8.1. O que são Task Runners?

Casa do Código

8.1

O que são Task Runners?

Como já citado, task runners são ferramentas que se destinam a automatizar tarefas variadas que devem acontecer em determinados momentos do desenvolvimento. Isso vale também para o back-end, apesar de não ser o foco deste livro.

Tarefas como compilar CSS de pré-processadores, verificar erros de JavaScript, combinar e minificar assets, otimizar imagens, e muitas outras podem ser automatizadas! Sim, elas podem ser executadas pelos task runners de maneira transparente e indolor, fazendo com que a produtividade das pessoas envolvidas no projeto atinja limites nunca antes imaginados!

Eles permitem que se criem tarefas que podem ser chamadas e executadas

através da linha de comando, além de ficarem rodando em background, só

esperando você salvar determinado tipo de arquivo, para dar início à execução de uma série de instruções automatizadas, previamente programadas!

Parece bom demais para ser verdade, mas realmente é!

Grunt e Gulp

De maneira semelhante aos pré-processadores CSS (), no mundo da auto-

matização de tarefas, também há dois task runners que são usados pela maioria das pessoas:

• Grunt (http://gruntjs.com/) ;

• Gulp (http://gulpjs.com/) .

Na prática, ambos podem executar as mesmas tarefas e contam com quase

a mesma gama de possibilidades. O que realmente muda é a maneira como se escreve e como se dão as instruções, para que cada um faça o que deve fazer.

Grunt tem sintaxe mais parecida com um arquivo de configuração, sendo mais verboso e, consequentemente, gerando arquivos maiores. Gulp, por sua vez, remete mais a quem gosta de dar instruções, de programar mesmo, tendo como características principais uma sintaxe mais enxuta e performance espantosa.

Estamos falando de microssegundos e, caso não saiba, 1s =

1.000.000s!

O Gulp baseia-se em alguns princípios básicos:

100

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

• Fácil de usar: ao preferir código, em vez de configuração, ele mantém

simples o que é simples e faz tarefas complexas bem mais administrá-

veis;

• Eficiente: Gulp usa o poder de streams de Node.js, o que permite

builds muito mais rápidos e dispensa a necessidade de gravação de ar-

quivos intermediários em disco;

• Alta qualidade: as diretrizes estritas para plugins do Gulp garantem que eles permaneçam simples e trabalhem da maneira que se espera;

• Fácil de aprender: com uma API mínima, aprende-se a trabalhar com

ele quase que na hora!

Código em vez de configuração (code over configuration) significa que realmente é preciso programar, montar scripts.

A eficiência do Gulp muito se dá em função de este usar streams do Node

(http://goo.gl/gGcxVW) . Tecnicamente, stream é uma interface abstrata im-plementada por vários objetos. Porém, pense neles como os pipes de sistemas

*NIX, em que é possível jogar o resultado de um comando diretamente em

outro.

Sua alta qualidade e facilidade de aprendizado garantem plugins igual-

mente eficientes. Também, devido ao próprio modo como o Gulp funciona,

essa facilidade de aprender e usar são absurdas; é uma curtíssima (quase inexistente) curva de aprendizado para começar a mexer com uma das mais po-

derosas ferramentas de desenvolvimento front-end que surgiram nos últimos tempos!

Em virtude dessas características e do meu gosto pessoal, até o fim do

capítulo, será focado no Gulp. Entretanto, lembre-se de que é possível realizar tudo o que será mostrado também com o Grunt, alterando e adaptando uma

coisa aqui e ali.

8.2

Como instalar o Gulp

Gulp é JavaScript com Node. A primeira coisa que você precisará é instalar o Node.js instruções em http://nodejs.org/. Tomando por base que você está 101

8.2. Como instalar o Gulp

Casa do Código

mexendo em um sistema de gente grande, isso é tão simples quando digitar uma linha de comando no terminal (caso já até não o tenha instalado). Depois disso, instale o Gulp globalmente no sistema com:

npm install -g gulp

Já que estamos lidando com Node, um arquivo package.json na raiz

do projeto faz-se necessário para indicar quais módulos serão usados. É possível que o Node o crie automaticamente com npm init, o que iniciará um

prompt interativo que perguntará um monte de coisas (tais como: nome do

projeto, versão, descrição, licença, autor etc.). Na verdade, para começar a adicionar módulos, só é preciso que esse arquivo seja um JSON válido (mais sobre JSON em http://goo.gl/bofIoU) . Um JSON válido mínimo não passa

de {}. Caso queira ser mais prático, basta executar:

echo "{}" > package.json

Já com o arquivo package.json na raiz do projeto com um JSON vá-

lido, execute:

npm install --save-dev gulp

Com isso, o Gulp já está instalado e pronto para ser usado no projeto.

Revisando:

• npm install -g gulp

• echo "{}” > package.json

• npm install --save-dev gulp

Depois disso, seu package.json deve estar assim (logicamente, a ver-

são pode se alterar):

{

"devDependencies": {

"gulp": "~3.8.10"

}

}

102

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

Como você viu, para instalar módulos, o comando é npm install

--save-dev [MÓDULO]. Na verdade, a instalação propriamente dita dis-

pensa o uso de --save-dev, mas usar esse parâmetro garante que a defi-

nição do módulo seja gravada no package.json. Isso torna as coisas mais

fáceis ao se iniciar um projeto que usa Gulp.

Caso esteja usando controle de versão, não é preciso incluir o dire-

tório node_modules, já que, ao se clonar um projeto que tenha um

package.json, basta executar npm install para que ele seja criado

automaticamente junto com os módulos/ dependências que serão usa-

dos.

gulpfile.js

Agora que o básico para se mexer com Gulp está preparado, é hora do

gulpfile.js. Nesse arquivo, que também deve ficar na raiz, é onde os

scripts das tarefas instaladas constam. É aqui, efetivamente, que os comandos sobre o que fazer e como fazer são passados para o Gulp.

Um boilerplate para o gulpfile.js poderia ser:

var gulp = require('gulp');

gulp.task('default', function() {

// Tarefas

});

Primeiramente, requere-se o módulo gulp. Isso deve ser feito com todos

módulos que você pretende usar. Depois, cria-se uma tarefa default com

as instruções que serão realizadas com sua execução. Do jeito que está, você já pode executar no terminal: gulp.

Apesar de ser uma tarefa nada útil, ela já deve retornar algo como:

[gulp] Using file [...]/gulpfile.js

[gulp] Working directory changed to [...]

[gulp] Running 'default'...

[gulp] Finished 'default' in 85 s

103

8.3. Gulp API

Casa do Código

Atente-se à maneira de executar uma tarefa, que é usar gulp seguido de

seu nome. Por exemplo, se você tivesse criado uma tarefa concatAssets,

você a executaria com gulp concatAssets. No caso, funcionou execu-

tando somente gulp, porque foi usado um nome de tarefa especial. Quando

uma tarefa default está definida, é ela que será executada caso nenhum

outro nome seja passado.

8.3

Gulp API

Já está claro que um dos princípios norteadores do Gulp é a simplicidade.

Indo ao encontro disso, sua API é extremamente simples e enxuta, limitando-se a quatro funções principais:

• src(): arquivo(s) que entrará(ão) na sequência de pipes para serem

tratados/manipulados;

• task(): define tarefas no Gulp;

• dest(): destino(s) do(s) arquivo(s) que passou pelos pipes;

• watch(): observa arquivo(s) e faz alguma coisa quando esse(s) é(são)

alterado(s).

Obviamente, cada um tem suas opções, possibilidade e detalhes técni-

cos. Apesar de essas breves palavras sobre cada já darem uma noção so-

bre as respectivas funções, seria interessante olhar a página da API do Gulp (http://goo.gl/7cviok) .

8.4

Exemplo de tarefas com Gulp

Basicamente, você já sabe como trabalhar com Gulp! A partir de agora, é usar os módulos Gulp disponíveis (e, quem sabe, até criar alguns) e conhecer as peculiaridades de uso de cada um. Um exemplo vai ajudar a clarear as coisas e fixar o conhecimento.

O Gulp, para este exemplo, vai trabalhar com os módulos:

• gulp-ruby-sass: para compilar Sass (http://goo.gl/Qbf0hq) ;

104

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

• gulp-autoprefixer: para colocar automaticamente vendor prefixes

em seletores (http://goo.gl/eCrNp5) ;

• gulp-minify-css: para minificar CSS (http://goo.gl/Ln6JL3) ;

• gulp-livereload:

para recarregar a página automaticamente

quando um arquivo for salvo (http://goo.gl/tK9Lak) .

Para descobrir mais plugins e módulos, acesse http://gulpjs.com/plugins/.

Usando a função watch() do Gulp, tudo isso vai acontecer automati-

camente ao se salvar algum arquivo Sass.

Instalando módulos Gulp

Para instalar os módulos necessários ao exemplo:

npm install --save-dev gulp-ruby-sass gulp-autoprefixer

gulp-minify-css gulp-livereload tiny-lr

Vale lembrar que, para usar o gulp-ruby-sass que é só um pouquinho

mais lento que gulp-sass (http://goo.gl/I8D18V) , mas possui opções mais interessantes , é preciso que você tenha Ruby instalado.

Também é preciso ter a extensão LiveReload para Chrome (http://goo.gl/

FXPwAL) , pois o gulp-livereload usa tiny-lr. Por isso, ele consta na

lista de módulos a serem instalados.

Fig. 8.1: É preciso habilitar o LiveReload no Chrome

Depois de rodar o comando, seu package.json deve estar parecido

com:

105

CSS Eficiente

8.4. Exemplo de tarefas com Gulp

Casa do Código

{

"devDependencies": {

"gulp": "~3.8.10",

"gulp-ruby-sass": "~0.7.1",

"gulp-autoprefixer": "2.1.0",

"gulp-minify-css": "~0.4.3",

"gulp-livereload": "~3.6.0",

"tiny-lr": "0.1.5"

}

}

Estrutura do projeto-exemplo

Para esse projeto-exemplo, considere a seguinte estrutura:

Fig. 8.2: Exemplo de estrutura de diretórios

index.html:

<!doctype html>

<html>

<head>

<meta charset="utf-8">

<title>Gulp test</title>

<link href="style.css" rel="stylesheet">

</head>

<body>

<p>Texto do teste.</p>

106

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

</body>

</html>

_variables.scss:

$backgroundColor: tomato;

$defaultTextColor: #fff;

style.scsss:

@import 'variables';

body {

background-color: $backgroundColor;

color: $defaultTextColor;

}

Editar o gulpfile.js

Agora será preciso editar o gulpfile.js para que fique adequado aos

propósitos do projeto-exemplo. Para começar, é preciso requerer os módulos e os atribuir a suas respectivas variáveis:

var gulp

= require('gulp'),

sass

= require('gulp-ruby-sass'),

prefix

= require('gulp-autoprefixer'),

minifycss = require('gulp-minify-css'),

refresh

= require('gulp-livereload'),

server

= require('tiny-lr')();

Repare que, para o gulp-livereload e tiny-lr, foram dados nomes

de variáveis diferentes, embora seja uma convenção nomear uma variável com o nome do módulo que ela recebe; daqui a pouco você vai entender.

Agora, chegou o momento de indicar ao Gulp o que fazer, efetivamente.

Lembre-se dos pipes: o(s) arquivos(s) indicado(s) em src() passa(m) por

um comando e o resultado disso é jogado para o próximo, e assim por diante.

gulp.task('compileStyles', function() {

gulp.src('src/style.scss')

107

8.4. Exemplo de tarefas com Gulp

Casa do Código

.pipe(sass({

noCache

: true,

precision

: 4,

unixNewlines : true

}))

.pipe(prefix('last 3 version'))

.pipe(minifycss())

.pipe(gulp.dest('dist'))

.pipe(refresh(server));

});

Perceba que há opções definidas para gulp-ruby-sass. Isso é perfei-

tamente normal para vários módulos Gulp. Geralmente o que está disponí-

vel e quais as opções possíveis são informações disponibilizadas na própria página do módulo. Também, veja o motivo de aquelas variáveis terem recebido nomes diferentes do nome do módulo: fica mais entendível quando se

lê refresh(server), não é verdade?

Finalmente, a parte mágica que automatiza inclusive o recarregar de pá-

gina, poupando até de ter que dar o foco na janela do navegador e apertar F5

ou pior: clicar no botão Recarregar.

gulp.task('watch', function() {

server.listen(35729, function( err ) {

if ( err ) { return console.log( err ); }

gulp.watch('src/**/*.{sass,scss}', [

'compileStyles'

]);

});

});

A tarefa chamada watch inicia um servidor LiveReload, escutando na

porta 35729 (a porta padrão desse server) e colocando no console algum acon-tecimento inesperado. O filé mignon é a parte que indica que, caso qual-

quer arquivo Sass seja alterado em qualquer parte do diretório src, a tarefa compileStyles deve ser executada e a página recarregada. Afinal, é para

isso que o LiveReload serve.

O arquivo gulpfile.js final deve parecer-se com:

108

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

var gulp

= require('gulp'),

sass

= require('gulp-ruby-sass'),

prefix

= require('gulp-autoprefixer'),

minifycss = require('gulp-minify-css'),

refresh

= require('gulp-livereload'),

server

= require('tiny-lr')();

gulp.task('compileStyles', function() {

gulp.src('src/style.scss')

.pipe(sass({

noCache

: true,

precision

: 4,

unixNewlines : true

}))

.pipe(prefix('last 3 version'))

.pipe(minifycss())

.pipe(gulp.dest('dist'))

.pipe(refresh(server));

});

gulp.task('watch', function() {

server.listen(35729, function( err ) {

if ( err ) { return console.log( err ); }

gulp.watch('src/**/*.{sass,scss}', [

'compileStyles'

]);

});

});

Com essas quase 30 linhas de código, agora é possível abrir index.html,

executar gulp watch, ativar a extensão LiveReload no navegador, e partir para o abraço (leia-se: editar um arquivo Sass em src). Quase que instantaneamente, você verá as alterações aparecendo na tela de seu navegador.

Agora você entende aqueles preceitos do Gulp: Velocidade, Eficiência e Simplicidade.

109

8.5. Sugestões de plugins Gulp

Casa do Código

8.5

Sugestões de plugins Gulp

Existem centenas de módulos/ plugins para o Gulp e, a cada dia, mais e mais aparecem pela web. Não seria viável manter uma lista completa, mas, certamente, algumas indicações de módulos úteis para tarefas comuns é bem-

vinda.

• gulp-util: funções úteis variadas (http://goo.gl/f H3Qhq) ;

• gulp-jshint: detecta erros e problemas potenciais de JavaScript

(http://goo.gl/9GG5JQ) ;

• gulp-uglify: minifica arquivos (http://goo.gl/iVLc8p) ;

• gulp-imagemin: minifica/ otimiza imagens (http://goo.gl/GT8rNO)

;

• gulp-replace:

substitui

strings em arquivos (http://goo.gl/

tuhD8v) ;

• gulp-concat: concatena arquivos (http://goo.gl/UGpyfZ) ;

• delete-files-folder: remove arquivos e diretórios (http://goo.gl/

OV2SCB) ;

• gulp-rev: adiciona hash aleatório em nomes de arquivos (http://goo.

gl/9HTXri) .

8.6

Conclusão

Kronos é implacável, principalmente quando se trata de desenvolvimento

web. Não há como evitar que novas tecnologias apareçam com novas pro-

postas, solicitando uma nova maneira de pensar e fazer, a fim de tentar sanar problemas já conhecidos. Este é, precisamente, o caso do Gulp: com a inten-

ção de ajudar na automação de tarefas repetitivas e liberar a mente criativa dos desenvolvedores, é uma das melhores e mais eficientes ferramentas para front-end dos últimos anos!

110

Casa do Código

Capítulo 8. Task Runners

Aprofunde seus conhecimentos na ferramenta e certamente perceberá

que, quando tiver se acostumado às facilidades e ao imenso ganho de pro-

dutividade proporcionado pelos task runners, não tem como voltar atrás!

Agora, que tal conhecer uma forma inovadora de organizar sua Arquite-

tura CSS por meio de uma metodologia inédita no Brasil? Conheça ITCSS

no próximo capítulo.

111

Capítulo 9

ITCSS

Neste ponto do livro, você já conheceu CSS orientado a objetos (3), SMACSS

(4), BEM (5), pré-processadores CSS (), CSS namespaces (7) e várias práticas e dicas sobre como escrever CSS mais eficiente.

São conhecimentos/ técnicas que podem ser usados e aplicados conforme

a necessidade de cada projeto ou, melhor, como um know-how de técnicas

que podem ser usadas em qualquer combinação para que você consiga levar

a arquitetura CSS deles para o próximo nível.

Por falar em próximo nível, algo novo chegou ao mundo das boas práti-

cas de CSS; algo bastante recente que, com exclusividade e em primeira mão, sendo tratada pela primeira vez em uma publicação nacional, você vai conhecer agora: Inverted Triangle CSS ou ITCSS.

9.1. O que é ITCSS?

Casa do Código

9.1

O que é ITCSS?

ITCSS é uma metodologia criada por Harry Roberts que vem sendo traba-lhada e aprimorada por mais de 4 anos, através de experiências em projetos de front-end de grande porte. Lembra-se de qual foi a resposta do próprio Harry quando perguntei por que uma arquitetura CSS era importante? Refrescando sua memória, foi:

CSS é incrivelmente fácil de escrever incrivelmente fácil , mas possui uma ordem de magnitude mais difícil para se gerir, manter e escalar. Como os projetos ficam mais maduros e maiores, CSS pode realmente começar a “comer pelas beiradas”, causando quantidades incalculáveis de confusão, dores de cabeça e frustrações para os desenvolvedores responsáveis por geri-los.

Isso se dá, principalmente, devido a uma série de princípios fundamentais de CSS que tornam inerentemente mais difícil a gestão de qualquer projeto de UI não trivial.

Consulte o capítulo 1 e releia a resposta completa.

Pensando justamente nesse tipo de limitação inerente às CSS foi que

Harry criou ITCSS. Como sugere o próprio nome, é a representação abstrata da arquitetura CSS de um projeto por meio de um triângulo invertido. Esse triângulo possui camadas que, conforme avançam, tornam-se mais específicas e focadas em realizar tarefas.

ITCSS não é uma nova tecnologia a ser aprendida, tampouco algum pro-

grama que se deva instalar. Trata-se de uma metodologia ou um modelo ou, diriam alguns, um metaframework bastante simples de se trabalhar, que propõe uma arquitetura CSS diferente e mais eficiente.

114

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

Fig. 9.1: Triângulo invertido dividido em camadas

Alguns dos principais benefícios de usar ITCSS são:

• Por ser simplíssima, é uma metodologia acessível a qualquer um;

• Organiza e gerencia o código em cascata;

• Cria uma organização, na qual se sabe onde cada parte do código deve

estar;

• Reduz perdas e redundância de código;

• Evita dores de cabeça com especificidade CSS (2.1).

Parece muito bom para ser verdade, mas acredite: simplesmente é!

9.2

As camadas do triângulo invertido

As 7 camadas do triângulo invertido são:

Configurações (Settings): variáveis e configurações globais;

115

CSS Eficiente

9.2. As camadas do triângulo invertido

Casa do Código

Ferramentas (Tools): funções e mixins;

Genérico (Generic): estilos genéricos (resets, normalizes etc.);

Elementos (Elements): estilização de elementos HTML diretamente;

Objetos (Objects): padrões não cosméticos (mais sobre OOCSS em 3);

Componentes (Components): peças de UI isoladas (menu dropdown,

carousel etc.);

Trumps: utilitários, helpers, sobrescritas e hacks.

Fig. 9.2: Camadas do triângulo invertido

116

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

Perceba que Trumps não teve tradução. Na verdade, o próprio Harry

Roberts explica que esta é uma palavra que, em inglês, é sinônimo de

beat, que, nesse contexto, seria algo como ultrapassar alguém ou al-

guma coisa por dizer ou fazer algo melhor.

Para fins de concisão e estilo, acredito que, quando ITCSS for mais

popular na Terra dos Papagaios, não haverá maiores questões em conti-

nuar usando o termo Trumps que é até bem simpático e agradável de se

pronunciar, diga-se de passagem.

Além desta organização mais formal, ITCSS é norteado por alguns prin-

cípios gerais:

• Sem uso de IDs, somente classes;

• Criação modular de componentes, em vez de páginas;

• Uso e abuso de classes no HTML (nada de economia de caracteres

aqui).

Para complementar sua robustez, ITCSS é construída em cima de 3

métricas-chave:

Geral para explícito: começa-se pelos estilos mais gerais e genéricos possíveis e, a partir daí, vão-se colocando camadas de estilo adicionais;

Baixa Especificidade para alta Especificidade: regras com especificidade menor aparecem em camadas mais genéricas; regras de maior, em

camadas mais específicas/ focadas;

Muito alcance para pouco alcance: as regras presentes em camadas mais genéricas afetam grande parte do DOM e, à medida que vão se

afunilando, alcançam cada vez menos porções.

117

CSS Eficiente

9.2. As camadas do triângulo invertido

Casa do Código

Fig. 9.3: Métricas-chave do triângulo invertido

Como será constatado a seguir, construir o CSS baseado nessas métricas-

chave garante que questões com especificidade sejam mitigadas e que o có-

digo seja escrito em uma ordem lógica e progressiva. Como se verá, isso traz grande capacidade de extensão e menos redundância.

Se pudesse representar a relação especificidade x localização na folha de estilos por meio de um gráfico para um projeto comum, este seria mais ou menos assim:

118

CSS Eficiente

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

Fig. 9.4: Especificidade por localização em projetos sem ITCSS

Já usando ITCSS e todas as vantagens que sua arquitetura traz:

Fig. 9.5: Especificidade por localização em projetos usando ITCSS

Isso ilustra nitidamente as vantagens que estão ao seu alcance e que você aprenderá agora, sabendo mais sobre cada uma das camadas de ITCSS.

119

9.2. As camadas do triângulo invertido

Casa do Código

Configurações (settings)

Em ITCSS não é obrigatório que se faça uso de pré-processadores CSS.

Porém, devido a todas as vantagens já vistas no capítulo 9, é extremamente aconselhável que você use. Neste caso, é na camada configurações que você começará o trabalho.

Quando pensar na camada Configurações, pense no termo estilos globais,

já que é exatamente onde esse tipo de estilo deve estar.

Exemplo:

$environment: dev;

$rem-base: 16px !default;

$main-color: #c00fee;

$module-size: rem-calc(20px);

Ferramentas (tools)

A camada Ferramentas deve conter funções e mixins

olha os pré-

processadores CSS aí!

relativos ao projeto. Essa camada vem logo após a

de Configurações, porque pode ser necessário que alguma função ou mixin

faça uso de uma configuração global qualquer.

Exemplo:

@function strip-unit($num) {

@return $num / ($num * 0 + 1);

}

@function convert-to-rem($value, $base-value: $rem-base) {

$value: strip-unit($value) / strip-unit($base-value) * 1rem;

@if ($value == 0rem) { $value: 0; } // Turn 0rem into 0

@return $value;

}

120

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

@function rem-calc($values, $base-value: $rem-base) {

$max: length($values);

@if $max == 1 {

@return convert-to-rem(nth($values, 1), $base-value);

}

$remValues: ();

@for $i from 1 through $max {

$remValues: append(

$remValues,

convert-to-rem(

nth($values, $i),

$base-value

)

);

}

@return $remValues;

}

Genérico (generic)

Na camada Genérico é que o CSS que efetivamente vai entrar em ação o resultado da compilação do pré-processador, diga-se dessa forma começa a ser escrito. Aqui é onde se definirão eventuais CSS resets; onde se coloca um Normalize.css (http://goo.gl/YFPLMO) ; e onde um box-sizing geral

é definido.

Essa camada afeta a imensa maioria do DOM, por isso, deve ser mais

ampla e genérica, estando mais para a base do triângulo invertido.

Exemplo:

* {

-webkit-box-sizing: border-box;

-moz-box-sizing: border-box;

box-sizing: border-box;

}

121

9.2. As camadas do triângulo invertido

Casa do Código

Elementos (elements)

Na camada Elementos, consta a estilização de elementos HTML, propriamente ditos. Seguindo na metodologia do ITCSS, é uma camada ligeiramente mais específica que comporta estilizações de elementos HTML diretamente, conforme as necessidades do projeto.

Devido ao tipo de estilização que há nela, geralmente depois de definidos os estilos, não é necessário que se mexa mais com eles, ficando essa tarefa para as camadas mais específicas do triângulo.

Exemplo:

img,

iframe,

object,

embed,

video {

height: auto;

max-width: 100%;

}

Objetos (objects)

A camada Objetos comporta estilos não cosméticos/ abstratos, reme-tendo mais a OOCSS (mais informações em 3), grids, contêineres e outros

desta natureza.

Exemplo:

.media {

margin: 10px;

&, .bd {

overflow: hidden;

_overflow: visible;

zoom: 1;

}

.img {

float: left;

122

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

margin-right: 10px;

&--ext {

float: right;

margin-left: 10px;

}

}

.img img {

display: block;

}

}

Componentes (components)

A camada Componentes é a que comporta o maior número de estiliza-

ções, já que nela devem constar os códigos dos elementos de UI do projeto (menus, carousels, slider etc.). Para facilitar o entendimento, faça um paralelo com os Módulos de SMACSS (4.5).

Seguindo a proposta do ITCSS, essa é uma camada mais específica, que faz uso de tudo o que foi definido nas anteriores, tendo um nível de especificidade maior.

Trumps

Para ter-se um código totalmente elegante e formal, a camada Compo-

nentes poderia ter sido considerada a última. Porém, como “na prática, a teoria é outra”, ITCSS usa a camada Trumps como uma maneira de vencer (beats) os estilos das anteriores (se necessário), tornando-se o último bastião de estilização dentro da metodologia.

Esta camada contém utilitários, helpers, sobrescritas e hacks e, devido ao propósito pelo qual existe, não se acanhe em usar !important se necessário.

Trumps é a ponta do triângulo e, em decorrência disso, a camada com as

regras mais específicas, explícitas e focadas.

Exemplo:

.half-width {

width: 50% !important ;

123

9.3. Organização do código com ITCSS

Casa do Código

}

9.3

Organização do código com ITCSS

Como foi possível perceber, a estrutura triangular invertida de ITCSS permite a organização do código, não mais por função estilos para tipografia, para formulários etc. , agora, organiza-se por explicitude e especificidade.

Em função da organização de ITCSS, a hierarquia, a cascata e a especifi-

cidade CSS trabalham a favor do desenvolvedor, já que cada camada somente dá prosseguimento ao que a anterior já definiu!

Como sugestão do próprio criador de ITCSS, recomenda-se que, na prá-

tica, cada camada seja formada por uma série de partials (Smacss) com a seguinte convenção de nome: _<camada>.<partial>.scss.

Exemplos:

_settings.colors.scss

_elements.headings.scss

_components.tabs.scss

Cada partial deve ser o mais granular e específica possível, con-

tendo somente o código necessário para cumprir a função a que se des-

tina. Por exemplo, um arquivo _elements.headings.scss deve con-

ter tão somente regras para os títulos (h1-h6) e nada mais.

Caso haja,

por exemplo, uma seção em que títulos e subtítulos sejam apresenta-

dos de maneira diferente, isso poderia constar em um outro arquivo,

como

_components.page-title.scss, por meio de classes como

.page-title e .page-title-sub.

Essa é a maneira como ITCSS funciona e para a qual sua estrutura de

triângulo foi concebida: não se colocam todos os estilos de cabeçalhos juntos; colocam-se os estilos referentes a elementos juntos e tudo o que é baseado em classes em um outro agrupamento! Com isso, organiza-se o projeto em

métricas úteis de CSS e não em blocos temáticos, que, na maioria das vezes, trazem questões de cascata e especificidade.

Na prática, usando Sass, todas as camadas funcionam juntas por meio

da importação desses vários arquivos respeitando-se a ordem do triângulo invertido, obviamente:

124

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

@import

'settings.colors',

'settings.global',

'tools.functions',

'tools.mixins',

'generic.box-sizing',

'generic.normalize',

'elements.headings',

'elements.links',

'objects.grid',

'objects.wrappers',

'components.buttons',

'components.carousel',

'components.main-nav',

'trumps.clearfix',

'trumps.ie8'

'trumps.utilities',

;

Dentro da estrutura de camadas de ITCSS, você pode usar a ordem de

importação que quiser, desde que sejam obedecidos os seguintes critérios de similaridade:

Especificidade: todos os seletores de elementos ou de classes ou todos utilitários com !important etc.;

Explicitude: estilizar todos os elementos base HTML ou de UI etc.;

Alcance: capacidade de afetar todo o DOM (por exemplo, * {}); partes do DOM (exemplo, a {}); uma seção do DOM ( .carousel {});

ou um nó específico do DOM ( .clearfix {}).

125

9.4. Conclusão

Casa do Código

9.4

Conclusão

Como visto, ITCSS é uma nova maneira de pensar e organizar a arquitetura CSS de seus projetos. Sua estrutura permite parar de ordená-los por temas e passar a usar métricas úteis de CSS. Para isso, ele é organizado funcionalmente em camadas que aproveitam a hierarquia, cascata e especificidade CSS.

Como qualquer metodologia, não se trata de regras rígidas nem conceitos

escritos em pedra. Caso tenha gostado, mas gostaria de alterar uma ou outra coisa, sinta-se à vontade! Por exemplo, em vez de usar a estrutura de nomes de partials indicada, você pode querer organizar tudo em subpastas com o nome do arquivo simplificado:

126

CSS Eficiente

Casa do Código

Capítulo 9. ITCSS

Fig. 9.6: Organize os projetos como for melhor para você e sua equipe: não há normas rígidas

Isso,

obviamente,

alteraria a importação dos partials em seu

style.scss:

@import

'settings/colors',

'settings/global',

'tools/functions',

'tools/mixins',

'generics/box-sizing',

127

9.4. Conclusão

Casa do Código

'generics/normalize',

'elements/headings',

'elements/links',

'objects/grid',

'objects/wrappers',

'components/buttons',

'components/carousel',

'components/main-nav',

'trumps/clearfix',

'trumps/ie8'

'trumps/utilities',

;

Perceba que o generic também foi alterado para generics. Uma

adaptação meramente material ao gosto de quem está usando, que deixa a

proposta de arquitetura CSS mais personalizada sem se abster dos benefícios que ela oferece!

A metodologia foi criada para ajudar, não para atrapalhar. Portanto, teste, experimente, use, reúse e adapte-a conforme seja necessário, sempre aprovei-tando o que de melhor ITCSS tem a oferecer!

128

Capítulo 10

O fim

Este é o fim. O fim do início de seus estudos sobre como escrever CSS melhor e começar a usar uma arquitetura CSS decente!

Se leu o livro na íntegra e prestou atenção, agora você já conhece mais a fundo sobre seletores CSS (2), CSS orientado a objetos (3), SMACSS (4), BEM

(5), pré-processadores CSS (9) e o novíssimo ITCSS (9).

Para os acostumados a fazer só o feijão com arroz de CSS, são evoluções

bastante consideráveis, que, sem sombra de dúvidas, farão com que você passe para o próximo nível nos conhecimentos e técnicas de front-end!

Você não precisa usar tudo o que foi visto de uma vez. Faça suas expe-

rimentações. Teste usar algumas das técnicas/ metodologias em um projeto, depois troque para outras em outro. A experimentação trouxe a humanidade até aqui e você pode ser aquele que ajudará o mundo a dar um passo além!

Aproveite que adquiriu este livro e além de sugerir aos colegas que tam-

bém façam o mesmo , volte aos capítulos e faça consultas quantas vezes forem

Casa do Código

necessárias. Siga os links e sugestões mostrados e sempre continue estudando!

Algo a se levar em consideração, que também ajuda a produzir CSS eficiente, é tentar manter o código fiel a um guia de estilos. Isto é, uma série de orientações de escrita de código que deve ser seguida por aqueles que mexem nos estilos do projeto. Existe uma máxima quanto a isso: O código de um projeto deve parecer que foi escrito por uma só pessoa. Seguir um guia de estilo ajuda bastante quanto a isso, tenha certeza!

Guias de estilos facilmente poderiam ter sido um capítulo incluído neste livro, mas como são muitos e bastante variados

para CSS e para pré-

processadores CSS , é mais conveniente que você os encontre em uma busca e decida por aqueles que se adequem mais à sua maneira e a seus hábitos de codificação.

Para começar, dê uma olhada no Idiomatic CSS (http://goo.gl/gLJI8e) e no artigo CSS Style Guides (http://goo.gl/HVTY5K) , que conta com referências a alguns notórios, como GitHub, Google e WordPress.

Não deve ser nenhuma surpresa que as técnicas e conhecimentos mostra-

dos aqui podem ser tão dinâmicos e mutáveis quanto a própria web! Ademais, que existem muitos mais conceitos/ metodologias por aí que, apesar de bem parecidos com o que foi mostrado durante todo o livro, também possam ser dignos de sua atenção como Atomic Design (http://goo.gl/d7BJQs) ou Orga-nic CSS (http://goo.gl/PHQCJJ) .

Logo, nada de achar que agora você é o Sr. (ou Sra.) front-end; você está apenas dando continuidade à jornada. A partir dessas informações e somente com muita prática, você conseguirá efetivamente dar os próximos passos na melhoria e na evolução de conhecimentos sobre front-end para se tornar um profissional melhor.

Como diria Morpheus, há uma diferença entre conhecer o caminho e

trilhá-lo.

Bons estudos!

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